O delegado titular de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), Eduardo Herrera dos Santos, participou na semana passada, em São Paulo, de curso sobre Entrevista e Interrogatório ministrado por agentes do FBI (Federal Bureau of Investigation). Na avaliação do delegado seccional de polícia de Bauru, Marcos Mourão, iniciativas como essa ajudam a aprimorar o trabalho policial e devem ser compartilhadas com outros policiais.
Realizado de 13 a 17 de maio, na Academia de Polícia do Estado de São Paulo (Acadepol), o curso integra um projeto de cooperação entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), visando o trabalho conjunto em áreas sensíveis, como o combate a crimes transnacionais, tráfico internacional de drogas, violência urbana e crime organizado.
Além do delegado de Pederneiras, na região do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 4 (Deinter 4), apenas o delegado Mário Furlanetto Neto, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Marília, foi indicado para participar do curso denominado “Técnicas Básicas de Investigação Criminal”. Os dois são professores da Acadepol.
“Preliminarmente, o curso objetivou o intercâmbio entre o que representa a excelência de atuação em atividade policial, desenvolvida nos Estados Unidos pelo FBI, com reputação em todo o mundo, e a Polícia Civil de São Paulo, sendo possível a troca de informações e conhecimentos no que concerne a atuação e estrutura das duas polícias”, conta Santos.
Segundo o delegado, o treinamento foi ministrado pelos agentes especiais supervisores do FBI, Gregory L. Houska e Clifford Swindell, e pelo agente especial Charles Shields, que trabalham nas divisões de investigações criminais de San Diego-CA, Washington-DC e Newark-NJ, respectivamente.
“Destaque durante o evento foi a forma como os agentes do FBI trabalham na cena do crime, na busca das evidências (como eles tratam o termo provas), com atuação minuciosa e ampla atenção, tendo em vista identificar e arrecadar desde um fio de cabelo, para efeito de amostra de DNA, até odores, em interior de locais fechados e veículos”, revela.
Técnicas de investigação
Santos explica que esta última técnica de investigação, denominada “Odor Print”, foi apresentada pelos agentes do FBI com a alegação de que os odores das pessoas podem representar elemento seguro de identificação, como uma impressão digital. “Inclusive, eles dispõem de equipamento para a coleta de amostra de odor”, afirma.
Ele ressalta que a agência também possui caminhões equipados para uso no local da ocorrência, com suprimentos para pegadas, câmeras, impressão digital e DNA, visando à coleta e preservação de evidências durante a fase de investigação. De acordo com o delegado, nos Estados Unidos, as buscas no local de um homicídio podem durar mais de 12 horas.
Outro assunto bastante discutido, segundo Santos, foram técnicas de entrevistas e interrogatórios. Os policiais civis foram orientados a se atentarem para a chamada “detection of deception”, ou seja, a “detecção do engano”, momento em que a pessoa interrogada pode estar mentindo.
Conhecimento multiplicado
O delegado seccional de Bauru, Marcos Mourão, destacou a importância do curso ministrado pelo FBI e adiantou que as informações serão multiplicadas para outros policiais civis da região. “Todo intercâmbio, principalmente com os Estados Unidos e outros países bem evoluídos, é interessante para a gente. A legislação é diferente, mas tem certas situações que podem ser úteis para a gente”, afirma.
Entre as várias técnicas norte-americanas de investigação ensinadas no curso que, segundo o delegado, poderão auxiliar o trabalho da polícia brasileira, estão àquelas relacionadas à lavagem de dinheiro pelo crime organizado. “Lá nos Estados Unidos, é diferente. Quem trabalha na Receita Federal também tem poder de polícia. E eles têm todos os mecanismos de investigação para lavagem de dinheiro”, diz.
“O grande problema, hoje, do tráfico de entorpecente é a lavagem de dinheiro. Se você começa a atacar o patrimônio, você ataca realmente o tráfico,” explicou o delegado seccional.