Bairros

Estupro de criança em escola está praticamente descartado

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Baseada nos resultados do laudo do Instituto Médico Legal (IML) e em avaliações psicológicas, a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Priscila Alferes, descartou em quase 90% as chances de um estupro a uma menina de três anos ter ocorrido em uma escola de Bauru, em 22 de abril deste ano.

Conforme o JC divulgou na edição do dia 24 de abril, a avó da criança registrou boletim de ocorrência sobre a suspeita após buscar a criança na escola e comprovar, posteriormente, no momento de dar banho na criança, que a calcinha da garota apresentava manchas de sangue.

Na ocasião, mesmo sem a criança ter verbalizado qualquer tipo de abuso, a família registrou o caso na delegacia e a mãe da garota relatou indignação ao JC, além de ter informado que a criança já teria tomado primeiras injeções contra infecção e iniciado um tratamento com coquetéis contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Contudo, segundo a titular da DDM, o exame do IML, assim como as avaliações psicológicas e oitivas realizadas com os funcionários da unidade, dentro do conjunto probatório, não foram conclusivos quanto ao estupro.

“O laudo aponta uma pequena lesão na genitália, que pode ter sido causada por um trauma ou conjunção, mas não houve rompimento integral do hímen, fato que seria crucial considerando a idade dela. Na avaliação psicológica, também não foi captado nenhum indício nas falas e não houve mudança de comportamento da criança, ou seja, nada que pudesse dar a entender que houve o estupro”, explica a delegada, frisando que outros depoimentos ainda serão colhidos e que a conclusão do inquérito só será realizada após a divulgação do laudo de um exame realizado em São Paulo, a partir do material genético colhido na criança. O prazo para que este laudo saia é de até seis meses.

Questionada quanto à validade de um laudo preliminar emitido na ocasião pela Maternidade Santa Isabel que indicava a existência de “manipulação genital e/ou conjunção carnal”, a delegada foi enfática. “O médico não atestou isso. Ele encaminhou a possibilidade para que fosse analisada por um médico legista. Aquele documento era um simples encaminhamento”, diz.

Ainda de acordo com Priscila, desde o início, a família não teria acreditado na possibilidade do estupro, mas o caso teria sido registrado desta forma para viabilizar a investigação. “As investigações nos levam a 90% de chance de não ser estupro, mas um ferimento causado por um objeto pequeno”, finaliza.

Falso estupro

Ainda na coletiva de imprensa realizada ontem pela manhã, a delegada titular da DDM, Priscila Alferes, informou que investigações apontaram como falso outro caso de estupro que envolvia uma estudante de 18 anos.

Na ocasião, a garota, acompanhada por sua mãe, teria relatado à polícia ter sido estuprada por um homem à luz do dia em uma estrada de terra próxima ao Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), após ser abordada caminhando na quadra 20 da avenida Nações Unidas, no final do mês de abril.

Segundo a delegada, entretanto, mensagens no celular do possível autor do crime teriam comprovado a relação amorosa dele com a garota, que teria consentido o sexo e denunciado depois por medo de repressão por parte de familiares.

“Iremos encaminhar o caso para o Ministério Público e a garota poderá responder por denunciação caluniosa”, reforça a delegada.

Conforme reportagem publicada pelo JC em fevereiro deste ano, das 100 ocorrências de estupro registradas por ano na cidade, cerca de dez envolvem crimes com autoria desconhecida. Desses casos, 50% são revelados como falsos após o início das investigações.

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