Economia & Negócios

Classes C e D: filão de seguradoras

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

A liberação do crédito e o aumento do poder aquisitivo das classes C e D estão ampliando o leque de oportunidades no mercado de seguros. É o que aponta o presidente estadual do Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor-SP), Mário Sérgio de Almeida Santos, que esteve ontem em Bauru para um fórum que discutiu os desafios e apontou algumas tendências do setor para os próximos anos.

“As seguradoras estão começando a preparar produtos especiais para consumidores dessas classes. Hoje, qualquer pessoa que compre um serviço ou uma residência, por exemplo, quer ter garantias sobre o bem que está adquirindo”, aponta Santos, sobre a tendência que há alguns anos era realidade apenas para as classes A e B.

De fato, os chamados seguros de garantia e microsseguros, aplicados sobre qualquer tipo de prestação de serviços e venda de produtos, respectivamente, estão cada dia mais presentes no mercado, conforme também analisa a 2ª vice-presidente do Sincor e corretora de seguros na cidade, Leilane Aparecida Figueiredo Strogen.

Segundo ela, basta o consumidor comprar um bem para ser questionado pelo lojista sobre a opção de ter garantia do produto estendida por mais dois anos em troca do pagamento de taxas que variam de R$ 2,00 a R$ 3,00.

“O seguro-garantia é um novo filão. Os consumidores estão cada vez mais exigentes”, considera a corretora, pontuando, entretanto, que o forte do mercado na cidade ainda são os seguros de automóveis, residências e empresarial.

A mesma percepção é feita pelo corretor Jefferson Cavalcanti, que atua há 22 anos no ramo. “A maior carteira ainda é a de automóveis, mas os seguros de vida e empresarial, por exemplo, são mais lucrativos. Tem corretora que firmou seguros de vida dos funcionários de uma prefeitura e que há 20 anos está recebendo. Nesse tempo, apenas duas pessoas morreram, ou seja, foram dois sinistros em 20 anos”, reflete o corretor.

A e B ainda lideram

Apesar das apostas nas classes C e D, o presidente do Sincor-SP pontua que o nicho de mercado tanto no Interior quanto na Capital continua focado na ampliação de produtos voltados para as necessidades das classes A e B, que representam cerca de 70% dos consumidores de seguros em todo o Estado.

“É preciso pensar que a classe C também tem o filho na faculdade e possui necessidades específicas. Mas a necessidade da classe A ainda é maior com os seguros que garantam a execução de serviços, de pagamentos e de responsabilidade civil. Ademais, nenhuma empresa grande investe no Brasil hoje sem ter garantias”, conclui Santos.

Microsseguro

No mercado mundial o microsseguro se propaga como uma ação que estende proteção social, sob forma de seguros, às classes menos favorecidas, oferecendo um serviço essencial em um modelo de negócios apropriado.

Sobre o mercado dos microsseguros em Bauru, Leilane Strogen acrescenta que ainda há muito que ser desenvolvido. “Temos projetos em favelas que levam a população a contratar seguro residencial, de vida e até plano funeral, mas como o fator social acaba se sobrepondo ao financeiro, ainda não é uma prática muito aplicada pelas corretoras”, considera a 2ª vice-presidente do Sincor sobre o novo nicho.

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