Com todo este alvoroço causado pelo futebol, esta semana, estou a pensar. O que somos? Há na Bolívia 12 brasileiros presos indevidamente, sem nada que comprove que tenha sido um deles quem disparou o maldito sinalizador. Por aqui, há uma nação de 30 milhões que professam que não é o time que tem uma torcida, e sim uma torcida que tem um time.
Mas e aí? Doze destes 30 milhões, depois do trágico acontecimento de Oruro, continuam lá, presos, e 29 milhões 999 mil e 988 continuam aqui, braços cruzados, teclando em twiter, facebook, se ufanando de serem os maiorais enquanto os outros 12 dessa nação seguem encarcerados e o bando de loucos nem aí com a paçoca. E continuo a pensar, será que entre estes 29 milhões 999 mil e 988 não tem ninguém que seja advogado? Nem precisa ter carteira da OAB, basta ser da Ordem dos que Advogam a causa Brasil para levantar a voz.
Publicar, compartilhar, twitar, retwuitar, chamar a atenção do Ministério da Justiça, Ministério Público, da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias que 12 cidadãos brasileiros permanecem sendo humilhados numa república chamada Bolívia, cuja maior relação comercial que tem com nosso país é produzir e distribuir cocaína mundo afora, via Brasil.
Afinal, eles não precisam da Justiça, da Promotoria, da atenção dos Direitos Humanos? Não são uma minoria entre os 30 milhões da nação corinthiana?
E vou além na reflexão, onde estão os jornais, as tevês e as emissoras de rádio para acompanhar este assunto? Fosse nos EUA, França, Israel ou qualquer outro país, democrático ou não, certamente já teriam sido enviadas missões diplomáticas, declarado retaliações comerciais, sanções unilaterais e o scambau de madureira. Por tudo isto, pela alienação que o futebol provoca, pela amnésia coletiva, não apenas de 30 milhões de brasileiros, 200 milhões, mas sobretudo pela inércia de um governo, que não se presta a agir em defesa de seus cidadãos, chego a pensar. Somos o quê? Uma República de Bananas. Se alguém acha que sim, não me inclua nesta penca.
Adão Nereu Barbosa - jornalista