Aceituno Jr. |
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Diante dos sintomas, medicação deve ser iniciada em até 48h, explica o secretário Fernando Monti |
Após a dengue vitimar mais de 5 mil pessoas e provocar a morte de dois moradores de Bauru neste ano, a gripe A (H1N1), conhecida como gripe suína, volta a assombrar a cidade. A doença fez sua primeira vítima fatal em 2013, segundo confirmação divulgada ontem pela Secretaria Municipal de Saúde.
Trata-se do empresário Nilton Roberto Chies, 47 anos, que morreu no último dia 16 de maio, depois de permanecer internado por sete dias em um hospital da rede privada de saúde. No ano passado, duas pessoas morreram e cinco contraíram a doença em Bauru.
Segundo informações prestadas pela família de Nilton, ele era diabético e hipertenso, comorbidades que, de acordo com a Secretaria de Saúde, tendem a agravar o quadro de gripe A (H1N1). A esposa da vítima, Rosângela Vasconcellos Aguilar Chies, 47 anos, conta que os primeiros sintomas surgiram no dia 4 de maio, 12 dias antes da morte do empresário.
Com febre e sentindo-se fraco, ele foi levado ao hospital e a suspeita inicial foi de dengue. “Ele recebeu alta e, como não melhorava, voltamos cinco dias depois. Meu marido mal conseguia ficar em pé, estava com muita falta de ar, tosse e pressão alta. Detectaram pneumonia e coágulos no pulmão e ele precisou ser internado. Só então começou a receber tratamento com Tamiflu”, lamenta a mulher.
O exame para diagnosticar a gripe suína foi feito apenas no dia 14 de maio, quando Nilton precisou ser transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Dois dias depois, acabou não resistindo à doença. De acordo com Rosângela, o resultado foi confirmado à família na última terça-feira. Além da esposa, Nilton deixou duas filhas, de 15 e 10 anos.
48 horas
O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, destaca que, para que o tratamento tenha efeito, a administração de fosfato de oseltamivir (princípio ativo do Tamiflu) tem de ser iniciada em, no máximo, 48 horas após o início dos sintomas. No caso de Nilton, o medicamento só foi recomendado pelo hospital da rede particular cinco dias depois de ele procurar atendimento.
“Se o prazo for extrapolado, o fosfato de oseltamivir praticamente não faz mais efeito. E, por este motivo, o paciente deve começar a tomar o medicamento antes mesmo de qualquer confirmação diagnóstica”, frisa.
Monti ressalta que as chances de morte são pequenas para a maioria das pessoas infectadas pela gripe A. O risco é maior para o grupo formado por crianças de 6 meses a 2 anos incompletos, gestantes, adultos acima de 60 anos e seus cuidadores, pessoas obesas, doentes crônicos e profissionais da saúde.
São eles o principal alvo da campanha de vacinação contra a gripe, que continua sendo realizada em Bauru e protege contra a gripe A (H1N1).
Medidas de prevenção
Além da vacinação, algumas medidas podem ser tomadas para a prevenção da gripe A (H1N1), como lavar as mãos várias vezes ao dia, não tossir ou espirrar sem utilizar a proteção de lenços descartáveis, evitar permanecer em locais fechados com aglomeração de pessoas e não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
Os principais sintomas são febre de início súbito e, em geral, alta, dor de garganta, tosse, coriza e, especialmente falta de ar.
Alerta
Após a primeira morte por gripe A (H1N1) neste ano, a Secretaria Municipal de Saúde lançou um alerta a toda a rede básica para que os profissionais estejam atentos ao diagnóstico de pacientes que apresentem alterações respiratórias. “Todas as unidades estão capacitadas para fazer a oximetria (exame que mede a saturação de oxigênio no sangue), que pode indicar se o quadro é de gripe A. Além disso, também já estamos provendo medicação (fosfato de oseltamivir) para todas elas”, frisa.