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Futebol Europeu: franca recuperação

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Principal revelação das categorias de base do Noroeste nos últimos anos, o volante bauruense França viveu um período difícil logo depois de ter assinado com o Hannover, da Alemanha, onde tem contrato até 2016. Com o diagnóstico de tuberculose, recebido pouco mais de um mês após chegar a Europa, no início do ano, o ex-noroestino está em fase final de tratamento contra a doença, e nada melhor do que apoio da família e dos amigos.

Já em boa condição clínica, França retornou a Bauru e iniciou os treinos físicos na última semana. E não poderia estar mais à vontade: o volante vai treinar até o dia 18 de junho com o elenco do Noroeste que se prepara para a Copa Paulista.

Revelado pelo Alvirrubro, França conhece bem o Estádio Alfredo de Castilho, os jogadores e membros da comissão técnica da equipe bauruense, onde ele mesmo faz questão de ressaltar que se sente em casa, tal a afinidade do jogador com o clube, onde atuou desde o sub-15 até o time principal, no ano passado.

França conversou com o JC sobre sua recuperação e a perspectiva para o futuro na Alemanha. Confira os principais trechos da entrevista.

JC – Como está a recuperação?

França – Estou tratando desde fevereiro. Voltei ao Brasil logo no começo, ainda não estava bem, mas já tinha começado o tratamento, tomando os remédios. Voltei para a Alemanha, fiz outros exames, e o meu pulmão já está bem melhor. No começo, estava tomando nove medicamentos, agora são só dois, é sinal que evoluiu.

JC – Voltar ao Brasil foi uma decisão sua ou indicação dos médicos?

França – No primeiro mês que eu estava internado, eu não podia fazer atividade nenhuma, e a diretoria do clube me liberou para ficar três semanas aqui. Voltei para lá, agora eles deram férias para o elenco até o mês que vem (o Hannover terminou o Campeonato Alemâo em oitavo lugar), e vim para cá fazer essa parte final da recuperação.

JC – Após descobrir a doença, como o Hannover reagiu? Você teve respaldo?

França – Eles ficaram bem preocupados comigo e me deram toda a atenção. Aquele mal entendido com o treinador (Mirlo Slomka), quando eu cheguei, sobre a minha altura, foi só um mal entendido, já está superado. Ele inclusive pediu para eu treinar todos os dias, para voltar bem na pré-temporada. Lá na Alemanha a tuberculose é rara, inclusive eles até usaram meu caso para estudo lá, pois não é comum ter um paciente.

JC – Com certeza, voltar para cá foi uma boa opção neste momento.

França – Isso, foi bom ter voltado para cá, minha família toda mora aqui, minha mãe, meu padrasto, meus dois irmãos, minha esposa e minha filha (as duas vão acompanhar França na Alemanha em junho). Minha mãe ficou assustada na semana que eu fiquei doente, até o Cristiano, o tradutor que está comigo na Alemanha, ficou chateado em me dar a notícia. Minha mãe já teve tuberculose, e meus pais conversaram muito comigo, me apoiaram, minha filha também sempre estava falando comigo. Ela está com dois anos e meio e entende bem as coisas já.

JC – Você teve medo de não poder voltar a jogar?

França – Quando eu descobri sim, mas tive todo o apoio do Hannover e da minha família, e também do Marcelo Lipatin (agente do jogador), que conversou bastante comigo. Logo que eu fui para a Alemanha, ele falou que seria difícil, pois estaria em outro país, com outra língua, outra cultura, tinha a saudade da família, principalmente nas duas primeiras semanas.

JC – A comida e o idioma são os pontos mais complicados?

França – É, a comida deles é bem diferente. Perto de onde eu moro em Hannover tem alguns restaurantes espanhóis e italianos, eu sempre comia por lá, porque a comida é mais parecida com a nossa, tem massa. Não sou muito fã da comida alemã, só comia no clube quando tinha treino em dois períodos. Eles comem muita carne de porco por causa do frio, alcachofra, salada. A salada é tranquilo, mas o resto não é muito o que eu gosto.

JC – Você tem um tradutor lá?

França – Isso, o Cristiano. Ele é brasileiro e me ajudou bastante no começo. Foi meu agente (Lipatin) que contratou ele, quando eu voltar para a Alemanha o Cristiano ainda fica mais um mês com a gente, pois estou aprendendo a falar o básico já. E como minha esposa e minha filha vão dessa vez, ele vai ajudar no primeiro mês.

JC – Você achou que nunca imaginou que teria este tipo de experiência?

França – Olha, eu não imaginava até pela fase que a gente passou aqui (Noroeste). Caímos em 2011 para a Série A-2, mas em 2012 conseguimos uma boa campanha, mesmo não subindo, e foi ali que eu senti que as coisas poderiam melhorar. Graças a Deus tive a oportunidade de ir para o Coritiba e o Criciúma, e lá no Sul deu tudo certo, as coisas começaram a dar certo.

JC – Assim que voltou ao Brasil, já manteve contato para treinar no Noroeste?

França – Inicialmente eu ia treinar no BTC (Bauru Tênis Clube), mas lá eu ia treinar sozinho. Pedi para o pessoal do Noroeste se poderia treinar aqui, já conhecia o Luciano Sato (técnico e gerente do clube), pedi para treinar aqui este mês e ele aceitou, está sendo muito bom passar esse período no Noroeste. Mesmo lá na Alemanha procurei acompanhar o clube, os resultados, fiquei triste com o que aconteceu neste ano, por causa do rebaixamento. Falava sempre com o Diego (atacante), mas depois o elenco do Noroeste pegou férias e fui manter contato só nesta semana com eles, só fiquei sabendo agora que o Diego saiu.

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