Uma nuvem baixa que atrapalha a visibilidade e se dissipa com a elevação da temperatura. Isso é um nevoeiro, segundo a explicação do meteorologista Fernando Tavares, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru.
O nevoeiro é um problema nas rodovias e nos aeroportos de todo o mundo. Esse fenômeno é comum a partir do início no mês de maio e prossegue até julho, aproximadamente. Neste período, a queda nas temperaturas é mais acentuada durante as noites e madrugadas. “Com a temperatura baixa, a umidade relativa do ar sobe. São essas as condições para a formação dos nevoeiros. Eles ocorrem com mais frequência em locais cobertos por vegetação, baixadas, vales e serras”, explica Tavares.
De acordo com ele, antes do meio-dia o nevoeiro se dissipa. “Com o nascer do sol, a temperatura aumenta e a nuvem evapora. É sinal de que o dia está nascendo. Mesmo em locais de muita ocorrência de nevoeiro, ele se dissipa antes do meio-dia.”
Na região de Bauru, em alguns locais, especialmente na região serrana de Botucatu, as ocorrências de neblina são constantes neste período do ano. Os condutores que viajam sempre para a Capital sabem disso (leia mais nas próximas páginas).
Se você é um deles, confira as dicas da Polícia Rodoviária para não cometer ‘gafes’ e obter resultados desastrosos. A principal orientação é para que o condutor nunca pare o carro sob neblina, porque poderá causar colisões. Em casos extremos, o ideal é procurar um centro de apoio e esperar a ‘nuvem’ se dissipar.
Assim como os motoristas, os passageiros das aeronaves e alunos da escola de pilotos do Aeroclube de Bauru sofrem com o fenômeno. Voos atrasados e cancelamento dos treinamentos práticos são comuns nas estações mais frias do ano.
No inverno, a visibilidade chega a ficar perto de zero nos aeroportos do Sul e Sudeste do País. Os especialistas em aviação dizem que Cumbica, em São Paulo; Galeão, no Rio; e Afonso Pena, em Curitiba, pedem instrumentos cada vez mais precisos.
Em Bauru, sob neblina o Aeroclube fecha. Na maioria dos aeroportos do País, a visibilidade abaixo de 800 metros é sinônimo de atraso ou cancelamento de voos. Isso ocorre porque não há equipamentos de última geração para orientar pilotos durante o pouso. O sistema de pouso usado no Brasil atua como o rádio do carro: funciona bem sem neblina ou quando ela é fraca.
No aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e na maioria dos aeroportos do país ela é adotada e indica o posicionamento exato do avião e o melhor ângulo para um pouso perfeito. Sem essa orientação, não há pouso. Uma das alternativas indicadas pelo instrutor de voo do Aeroclube de Bauru Saulo João Júnior seria o uso de satélites, porém, o Brasil não tem essa tecnologia, usa satélite americano. Um equipamento ILS cat 3 pode ser a solução. É usado em aeroportos americanos e foi instalado recentemente no Aeroporto Internacional de Cumbica.