A neblina nas estradas é um problema para aqueles que cuidam da segurança delas. Afeta a visibilidade dos condutores, que muitas vezes se atrapalham e ocasionam colisões, traseiras e frontais. Esse tipo de acidente costuma acontecer com mais frequência nesta época do ano, mas não chegam a dobrar as estatísticas, diz o 1º tenente da Polícia Rodoviária Vitor Cesquini Tamarozzi.
“O nevoeiro é tratado como neblina por nós. Ela pode ser fator gerador de acidentes, de gravidade inclusive. Porque ela afeta a segurança de modo a impactar a visibilidade dos motoristas. Diminui a visibilidade deles. Com isso, podem ocorrer acidentes diversos, colisões traseiras, frontais, laterais.”
Na região existem pontos onde ocorre o fenômeno com maior frequência neste período, especialmente nos vales e serras. A região de Botucatu, por exemplo, é onde os condutores encontram maior dificuldade em transitar na madrugada e início da manhã.
O tenente orienta os condutores para tentar evitar esses horários para sua maior segurança. “Nos locais onde se sabe que ocorre neblina, seria ideal que os motoristas transitassem após ela se dissipar, por volta das 10h, quando sai o sol”, esclarece.
Para aqueles que não podem optar pelo melhor horário, o tenente aconselha a nunca parar na rodovia. “Se o condutor não estiver enxergando, tem que continuar o trajeto, em velocidade baixa com farol aceso. Não pode parar no acostamento, pode causar uma colisão. Em situações extremas é bom abrir o vidro do veículo e ficar atento aos sinais sonoros, buzina e algum barulho que indique colisão. Assim, pode evitar se envolver em um acidente.”
Visão da faixa
Para se nortear, o condutor deve fixar sua visão na faixa de rolamento. “Use a pintura da faixa da pista como referência para seguir, ela proporciona visibilidade. Em condições extremas o ideal é procurar um centro de apoio ao usuário e parar. Se a rodovia não possuir, procure um posto de combustível.”
Nevoeiro com menor intensidade pede outra providência. “Fixar a visão no veículo que segue à frente. Essa opção é indicada para quando a intensidade do nevoeiro for menor. Reduz a velocidade e segue, mantendo a distância segura. O farol baixo deve ficar aceso. Temos orientação do Código de Trânsito de usar o farol durante todos os dias, mesmo em condições normais na rodovia.”
Se é preciso redobrar a atenção em rodovias de pista dupla sob neblina, imagine em pista simples. “Na rodovia de pista dupla tem o canteiro central dividindo o sentido dos veículos. Na simples não tem, então o condutor tem que tomar mais cuidados porque a incidência de colisão frontal aumenta nesses casos. Esse é um acidente de maior gravidade”, alerta o tenente Tamarozzi.
Medo aciona atenção redobrada
O tempo frio e sem sol tende a deixar as pessoas mais depressivas, especialmente aquelas com alguma tendência para a doença. “Deprime mais, mesmo. É claro que isso influencia na agilidade, na tensão da pessoa ao volante. Essa é uma das questões. Os riscos são maiores e quando o ser humano está em situação de risco, como qualquer animal, ele tem uma tendência a ficar mais adrenérgico e com medo,” explica a psicóloga Maria Celina Nicoletti.
Segundo ela, o medo é um sentimento necessário num momento desses. “É necessário para que o condutor tome mais cuidado. Ele vai prestar mais atenção porque o medo motiva isso. A pessoa fica mais tensa porque enxerga pouco. Então, mesmo que não esteja deprimida, que ela tenha um humor que não seja influenciado pela ausência do sol, precisa ficar mais atenta, e ela realmente vai ficar mais tensa porque vai ter que redobrar a atenção.”
Cuidados sob neblina
1. Reduzir a velocidade ao perceber os primeiros sinais de neblina;
2. Manter uma distância segura do veículo à frente;
3. Acender os faróis baixos - tanto de dia quanto à noite. Faróis apagados, mesmo de dia, não é recomendado. Já o farol alto, independentemente do horário, dificulta a visibilidade pela grande dispersão de luz emitida sob neblina;
4. Não parar o veículo no acostamento;
5. Nunca pare na pista;
6. Não ligar o pisca-alerta com o veículo em movimento;
7. Use a pintura de faixa da pista como referência do caminho a seguir;
8. Fique atento a sinais sonoros externos que possam indicar uma situação atípica à frente, como buzinas, sirenes e som de colisão;
9. Deixe a janela aberta, ainda que parcialmente, para ouvir eventuais sinais sonoros;
10. Evite uso de aparelhos que possam dispersar a atenção;
11. Caso julgue não ter condições de visibilidade para seguir viagem, pare somente em locais seguros, como postos de abastecimento.
Pontos que devem ser observados (dados da Artesp)
1. Rodovia Raposo Tavares (SP 270), km 48 e km 52, sentido Oeste, São Roque;
2. Rodovia Castelo Branco (SP 280), do km 50 e km 58, sentido Oeste, São Roque e Araçariguama, respectivamente;
3. Interligação Planalto do Sistema Anchieta/Imigrantes (SP 40), do km 8 ao km 0, sentido Oeste, São Bernardo do Campo;
4. Rodovia Anchieta (SP 150), do km 32 ao 45, sentido Sul, São Bernardo e Cubatão;
5. Rodovia dos Imigrantes (SP 160), do km 32 ao 47, sentido Sul, São Bernardo e São Vicente;
6. Rodoanel (SP 21), na altura do km 76;
7. Rodovia Anhanguera (SP 330), do km 227,75 ao 235,15, sentido Sul, Santa Rita do Passa Quatro e Porto Ferreira;
8. Rodovia Santos Dumont (SP 75), km 33, sentido Sul, Itu;
9. Rodovia Monsenhor Clodoaldo de Paiva (SP 147), km 50,49 ao km 52,55, sentido Oeste, Mogi Mirim;
10. Rodovia Dom Gabriel Paulino Bueno Couto (SP 300), km 109,7, sentido Oeste, Itu.