Desde que o PT assumiu o poder federal (2003) os peessedebistas entoam monocórdio chororô que atribui ao partido de Lula, Dilma e tantos outros "ter se apropriado das suas idéias". Nesta semana, um tal João Guilherme Ortolan envia carta ao JC sugerindo que o movimento do final de semana passado rumo aos bancos, pelos beneficiários do Bolsa Família, teria se dado por um boato veiculado pelo próprio governo federal. Afora a sandice da alegação (que se verifica simplesmente quando se pergunta a quem poderia interessar o boato de que o Bolsa Família iria acabar), mais uma vez se identifica que as oposições no Brasil estão em fase melancólica, próximas de uma extrema-unção, por aquilo que tenho sempre dito: a extraordinária e especial incompetência de ser oposição.
Quando tentam ser aguerridos soam ridículos. Quando deblateram contra o governo soam falsos. E quando emitem juízos de valor como esse do tal Ortolan margeiam a mais hedionda patifaria. Fato notório é que o destaque e a abrangência do Bolsa Família só se deu no primeiro governo Lula e só tem crescido. E se as primeiras idéias neste sentido foram do governo FHC (há controvérsias porque possivelmente Getúlio, Juscelino e Jango, já tivessem pensado nisso antes - porque sempre foram muito mais populares do que FHC), não devemos nos esquecer que coube à socióloga e esposa de FHC, Ruth Cardoso (de quem o falecido ministro Sérgio Motta - o Sergião, das Comunicações - um canalha que o Diabo já o carregou, felizmente - dizia praticar masturbação sociológica) a luta pela mínima mantença do benefício.
Contrariamente ao que lutava Sergião, primeiro-ministro virtual in pectore de FHC. É deste modo que Aecinho (muito famoso nas raves cariocas) pretende ser ungido pelo povo em 2014. Só o fato de ser neto de Tancredo, presidente do PSDB e ex-governador de Minas Gerais (onde construiu uma sede de governo monumental - verdadeiro escárnio às pessoas carentes no seu próprio estado e aos professores ganhando menos que o salário mínimo nos grotões mineiros), além de ter a incondicional admiração do tal Ortolan - só isso é muito pouco. E já que o Ortolan gosta de passado, por que não refrescar sua memória das horas e horas que FHC esperou nas ante-salas de Collor implorando uma nomeação de ministro do Exterior, que só conseguiu depois com Itamar, mesmo com a patriótica objeção de Covas?
Por que também não lembrar de onde vem o PSDB: de uma costela do PMDB, porque os que saíram não tiveram cacife para disputar com Quércia o comando do partido. Cujo Quércia, vice-governador de Montoro (ex-PMDB e depois PSDB) e depois governador, com o apoio de toda essa gente que hoje posa de vestal. Para finalizar, quando acusam Dilma de guerrilheira, se esquecem que Aloysio Nunes Ferreira Filho (líder do PSDB no Senado) era motorista de Marighella na ALN. Os peessedebistas que me poupem: eu ainda penso e leio. E tenho a estranha mania de escrever o que penso.
Marco Antônio de Souza