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Prefeitura estuda interditar a Nações

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Em 1977, o rio Bauru foi canalizado onde é a Nações Unidas. Nascia ali um dos maiores problemas de Bauru. Agora, conforme o próprio prefeito Rodrigo Agostinho aponta, “a água quer voltar para o território dela”. E faz isso com violência. Tanto que a chuva de ontem era, segundo a Defesa Civil de Bauru, o cenário de potenciais vítimas fatais. Por isso, fica a pergunta: por que não interditar toda a Nações Unidas quando se tem alerta de chuva?

Após o alagamento de ontem, a própria prefeitura passou a se questionar. “Foi uma chuva e rápida e algo muito além do esperado. O alagamento da Nações começou a ‘subir’ cada vez mais a via . Estamos estudando ampliar a interdição”, revela o prefeito.

Hoje, a interdição é feita apenas na chamada parte baixa da Nações Unidas, próximo ao Terminal Rodoviário. Porém, não é suficiente para conter o problema que se arrasta há anos e só cresce. Prova disso é que, ontem, o alagamento ultrapassou a altura do Vitória Régia e arriscou a vida de muitos motoristas. “A água atingiu 6 quilômetros da via. Talvez, realmente, o certo seja a Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) interditar a avenida inteira”, confirma o prefeito.

Nico Mondelli, presidente da empresa municipal, argumenta que seria necessária ampla logística para realizar a interdição completa. “Precisamos realizar uma nova reunião entre a prefeitura, a Emdurb, a Defesa Civil e os bombeiros para ver como isso deve ser feito”.

Já o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, enxerga dificuldades em interditar toda a via. “A interdição como um todo é inviável. Até porque teria que fechar o fluxo das vias que desembocam na avenida”, aponta.

Outro problema apontado por Brito é que nem todo estado de alerta se concretiza em alagamento. “Se interditássemos sempre em estado de alerta, a interdição iria cair em descrédito pela população. Além do mais, interditar a Nações causa um enorme transtorno em Bauru”, complementa o coordenador.

Atualmente, sem a interdição total da Nações Unidas, segundo o Corpo de Bombeiros, viaturas são deslocadas para os pontos costumeiros de alagamento assim que recebem o alerta de chuva. Na Nações, esses pontos são o viaduto perto da rodoviária e os cruzamentos da via com a Rodrigues Alves e a Duque de Caxias.

“Quando a chuva começa, analisamos a pista e as condições climáticas. Depois, direcionamos os motoristas a não passarem por aqueles pontos. Mas interditar a via só por conta de suspeita não é possível”, relata o primeiro tenente do posto dos bombeiros de Bauru, Eduardo de Souza Costa.

Segundo ele, muitos motoristas não respeitam essa orientação e “acham que vai dar para passar”. Porém, não dá. A correnteza de ontem mostrou isso. Carros foram arrastados e até tombados pela força da água.

Soluções

Se é evidente que não dá para atravessar um alagamento, também fica claro que não dá mais para a Nações Unidas viver essa situação em toda e qualquer tempestade. Se ontem, por sorte, não houve uma tragédia, não foi assim no dia 30 de novembro de 2010. Na ocasião, Rafael Franco Zontini, 24 anos foi arrastado por cinco quadras após abandonar um táxi e morreu afogado em frente à Praça do Líbano.

Mais de dois anos depois da morte do jovem, Rodrigo Agostinho alega que há um projeto executivo de drenagem a ser executado ao longo da Nações Unidas, cuja licitação foi aberta há duas semanas.

Contudo, o chefe do Executivo revela que a solução do problema seria uma obra orçada em aproximadamente R$ 100 milhões. “A prefeitura não tem esse dinheiro”, lamenta.

A obra canalizaria novamente o rio que passa sob a avenida, aumentando a vazão. Contudo, envolve também a construção de cinco barragens. Agostinho espera conseguir uma verba federal do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) no próximo semestre. “Estou esperançoso em conseguir essa verba do PAC Drenagem”.

Em uma situação cheia de perguntas, resta mais uma. Depois dos estragos de ontem, será que a cidade também está esperançosa em ver uma solução?


Painéis eletrônicos

Atualmente, a Nações Unidas possui placas informando sobre o risco de inundação em quatro pontos da avenida. Elas, contudo, mostram não ter muita eficácia na prática. Por isso, a Emdurb estuda “por a mão no bolso” e instalar painéis eletrônicos na extensão da via.

“É algo que estamos pensando. A ideia é, assim que a Emdurb receber o alerta de chuva forte, colocar as informações nesses painéis. Também estudamos colocar câmeras nos radares para monitorar a situação da via quando começa a chover”, revela o presidente da Emdurb, Nico Mondelli.


‘Nem eu fui avisado da chuva’, reclama prefeito

Enquanto espera uma verba federal para tentar resolver o problema, o prefeito Rodrigo Agostinho não enxerga muitas saídas – mesmo que paliativas - para o alagamento na Nações Unidas. Ele, contudo, confessa que precisa melhorar a Defesa Civil da cidade. “Nem eu fui avisado da chuva”, reclama.

Ele afirma que o órgão precisa de mais articulação para lidar com os problemas. “Fiquei realmente muito chateado com o desempenho da minha defesa civil”.

Na contramão, o coordenador do órgão, Álvaro de Brito, também reivindica. “Precisamos de mais estrutura. Precisamos de mais atendentes também para montar um plantão 24 horas”, argumenta Brito.


Quase tragédia

A grande quantidade de estragos deixada pela chuva em Bauru poderia ter sido muito pior. Por sorte, ninguém se feriu. O coordenador da Defesa Civil vai além. Segundo, ele a força da chuva foi tamanha que poderia ter havido mortes.

“O cenário das chuvas era propício a vítimas fatais. O que ocorreu hoje (ontem) poderia ter resultado em uma tragédia”, disse Álvaro de Brito.

Ele exemplifica o fato do carro da gestante que foi tombado pela água. “Se ela estivesse no veículo, seria muito difícil sair dessa maneira. Ainda mais pela condição dela”.


Rio Bauru: por muito pouco

O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, disse que sua maior preocupação foi o rio Bauru. Segundo ele, nas proximidades do Terminal Rodoviário, o córrego correu alto risco de transbordar.

“Ficamos com muito medo de que isso ocorresse. Por sorte, não chegou a transbordar. Essa chuva de ontem realmente nos deixou muito chateados. Não estávamos esperando. Não é a época usual de chuvas assim”, lamentou o presidente da empresa municipal.


Alerta: chuva hoje por ter a mesma intensidade

De acordo com o IPMet, há probabilidade de haver hoje pancadas de chuva com a mesma intensidade de ontem. “O tempo segue bastante instável”, informou, na noite de ontem, o meteorologista Eduardo Gonçalves.

Segundo ele, tal instabilidade se manterá até quinta-feira. O IPMet aponta que essa situação é produto de uma frente fria que atinge todo o Estado de São Paulo.

O total acumulado de chuvas somente ontem em Bauru foi de 47 milímetros de acordo com o IPMet.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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