Tribuna do Leitor

As anamneses de um tal Souza


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Carta publicada nesta Tribuna ("O chororô do PSDB", pág.32, 26/5), de autoria do senhor Marco Antônio de Souza, explicita a intensidade da lavagem cerebral que os seminários, reuniões e debates levados a cabo constantemente pelo PT e suas perigosas proximidades conseguiram lhe causar. Por que, perguntariam os meus leitores. Porque seus arrazoados são completamente desconexos e fora do contexto do debate que minha posição, definida em minha correspondência, propõe. Com sua carta, Souza respondia com protestações ineptas e sem fontes confiáveis que as justificassem, minha matéria "J?accuse", aqui publicada na última quinta feira, 26/5.

Tenho certeza de que ele sabe disso ? eles não deixam de bem se informar para, na primeira oportunidade que se lhes apresente, distorcer o fulcro do noticiado ? mas, segundo informou a Folha de São Paulo na quarta ou quinta feira da semana recém-finda, - 19 a 25 de maio - a "Caixa (Federal) admitiu em nota que alterou, sem aviso prévio, o calendário de pagamento do benefício no dia 17, na véspera da confusão". Por que essa inesperada e imperscrutável alteração de método? Ora, porque o boato sobre o fim do programa Bolsa Família (na minha opinião mera e pura ceva da reserva eleitoral que o PT mantém nos grotões de miséria destes Brasis ? há tantos Brasis assim!) já estava prestes a fazer efeito e poderia sair do controle das "otoridadi" do norte/nordeste, onde o empurra-empurra foi mais severo. O governo, sabedor do boato por ele mesmo disseminado, ordenou de imediato à presidência da Caixa a alteração do calendário de pagamentos, que está a viger ainda hoje. O senhor Souza já deve ter lido, mas agora leiam os leitores o que disse a presidenta comentando o que todos já sabiam: "Somos humanos, pode ter tido (sic) falhas. O que estou dizendo é o seguinte: não é uma falha tópica que explica (a ida de pessoas a agências da Caixa) em 12 Estados" (jornal O Estado de São Paulo, pág. A6, 26/5). E disse mais: "enquanto não houver uma avaliação concreta e profunda, nós não emitiremos opinião. (...) Estamos empenhados na investigação por dois motivos. Um, porque pode ter sido um delito. Dois, porque nós temos de aprender com todos os episódios" Então vejam: o "tar" de Souza dá a entender que já sabe tudo e nada justifica. Apenas balbucia amenidades mais com o intuito de menosprezar minha pessoa do que o de, efetivamente, esclarecer dúvidas. E dúvidas não só minhas, mas também dos senhores leitores. E enquanto isso, a própria presidenta (deles) confessa não ter certeza de nada, ainda. Aliás, o que é próprio deste atual governo!

Em certo trecho de sua modorrenta carta, ele, o Souza, que parece saber tudo e de tudo, afirma, convictamente, que "já que o Ortolan gosta de passado, porque não refrescar sua memória das horas e horas que FHC esperou nas ante-salas (sic ? é antessalas, ó sofrível escrevinhador) de Collor, implorando uma nomeação de ministro do Exterior". Agora foi demais senhor "tar" de Souza: eu sequer toco em passado em minhas considerações (leia a minha carta e releia-a bem; mas tenha certeza de que não está lendo a minha missiva de ponta cabeça). O senhor sim é que é um reminiscente inveterado: de uma só tacada, em sua carta, você citou, entre gente boa e ruim, dez pessoas já falecidas. Faço questão de enumerá-las: Getúlio, Juscelino, Jango, Ruth Cardoso, Sérgio Motta, Tancredo, Covas, Quércia, Montoro e Marighella. Se deixei de citar algum, que me desculpe o de cujus!

Finalizando, porque já sinto ascos perante tanta incongruência e ignomínia, o próprio núcleo duro do "pudê" e a própria diretoria do PT, à qual você não pertence, trata Dilma como uma "valente guerrilheira". Tenha a pachorra de pegar os jornais ou textos na Internet da época em que Dirceu foi obrigado, por conveniências do então governo Lula e do PT, a pedir demissão de seu posto de ministro chefe da Casa Civil da Presidência da República. Já se iniciavam aí as investigações que resultaram, seis anos depois, no processo do mensalão. Nisso vocês são realmente bons. Nunca roubaram tanto nesta nossa "pátria amada, mãe gentil" como nos últimos dez anos. Pois bem, senhor Souza: ao passar o cargo de ministro chefe da Casa Civil a Dilma Vana Rousseff, foram exatamente estas as palavras de elogio (pode?) com que Dirceu recebeu a sua velha conhecida nova ministra: "É com muito orgulho que passo às mãos de Dilma Rousseff a chefia da Casa Civil. Afinal de contas, Dilma foi minha irmã de armas durante os anos de chumbo"! Portanto, descuidado escriba, ninguém "acusa Dilma de guerrilheira e se esquece de que Aloysio Nunes Ferreira Filho (líder do PSDB no Senado) era motorista de Marighela na ALN", não senhor. Simplesmente ela e Aloysio são guerrilheiros. Porque, conforme eles mesmo dizem de si com muita altivez, até "Guerrilheiro, quem foi sempre será"!

"Honni soit qui mal y pense! Dieu et mon droit" (Que sejam punidos os que só pensam no mal. Deus e meu direito).

João Guilherme Ortolan

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