O Congresso Nacional chama de interferência de poderes quando o ministro Joaquim Barbosa diz que os partidos políticos no Brasil são de mentirinha. Esses políticos passaram as últimas décadas se esforçando para passar essa imagem de aproveitadores de plantão para a sociedade, e aí quando aparece alguém de coragem e diz isso publicamente, acham ruim. Quando existe uma discussão em nível nacional que interessa ao governo, uns recebem seu aluguel de legenda, votam a favor do governo e de seus interesses e vão embora felizes da vida em seus trens balas e outros, rogando a Deus por outra oportunidade dessas, outros mais alinhados ao governo recebem suas benesses normalmente em forma de liberação de verbas milionárias, como o recente caso do Mensalão e também votam a favor do governo, no que eles chamam de voto da liderança (?), ou seja, só vota a "diretoria" que é quem leva a cota parte do dinheiro. Aquela meia dúzia de líderes (?) que se fecham numa salinha e resolvem tudo em nome dos partidos sem consultar as suas bases para, democraticamente, saberem o que o partido como um todo, realmente pensa sobre o tema, coisa de política subdesenvolvida. O Povo, coitado, esse não sabe quanto foi, pra quem foi ou para o que foi destinada essa dinheirama toda.
A grande massa de manobra que eles chamam carinhosamente de "correligionários", aqueles para quem eles sempre pedem o voto para os candidatos de seus partidos, prometendo as mesmas coisas de 30, 50 anos atrás, nunca vêm um centavo desse dinheiro oriundo da corrupção que varre esse enorme e riquíssimo País para de baixo do tapete da Política. Em países sérios como os asiáticos, os políticos corruptos são condenados à morte, eles sim podem dizer que tem Partidos Políticos de Verdade. Aceitar dinheiro de empresários para financiamento de campanha política e enriquecimento próprio, é ilegal, até por que os juros cobrados pós-eleição são caríssimos, por que depois de eleito, esse tipo de político ao invés de defender os interesses do povo que o elegeu, vai defender os interesses dos empresários que os financiaram. Isso é aluguel de legenda, isso é ser de mentirinha sim, ou pior, isso é ser de fachada. Doação para campanhas políticas é outra coisa e deve ser feita com muita transparência, para não ser confundida com ato escuso.
Dar dinheiro para os pobres por tempo indeterminado, arrotando ao mundo que estamos acabando com a pobreza no Brasil, sem um programa de inclusão social e de qualificação profissional para o mercado de trabalho, é o que, senão compra antecipada de votos. Isso deveria ser punido com a perda de mandato imediato, por improbidade administrativa, abuso do poder econômico e por desvio de recursos públicos, já que o objetivo final desses programas de mentirinha é na verdade, favorecer um grupo de partidos políticos de mentirinha, de aluguel, de fachada mesmo, para se perpetuarem no poder. O Povo senhores, não quer partidos com pensamentos ditatoriais se perpetuando no poder por anos sem fim, ele quer que os partidos políticos façam esse dinheiro voltar para a sociedade através de projetos sérios que foquem a melhoria da qualidade de vida da população como um todo, em Educação, em Saúde pública, em Transporte público, em Segurança pública efetiva e em Qualificação Profissional para que o pobre não seja tratado como massa de manobra política ou objeto de voto e sim como cidadão humano que é com o direito de, aprendendo a fazer, poder trabalhar para ganhar e levar um dinheiro digno para o alimento da sua família. Quanto aos "correligionários", assim como eu, gostaríamos de poder participar dessas discussões de interesse nacional através das bancadas estadual e principalmente a municipal, que é onde tudo começa e onde estão os verdadeiros "correligionários". Quem tem direito a voto para eleger desde um vereador até um presidente da República, tem igualmente o direito sagrado de opinar sobre qualquer assunto que venha a impactar sobre seu próprio futuro. Quem sabe depois disso, se vocês merecerem o voto desse povo para ficarem durante 30 ou 50 anos no poder, que seja de livre e espontânea vontade, por reconhecimento e não à custa de um derrame de dinheiro público aliciando essa massa de manobra, a quem vocês chamam carinhosamente de eleitor.
Joaquim Luiz de Mattos Neto, publicitário e consultor de marketing, cidadão e eleitor brasileiro há mais de 50 anos