Pressionado pelo PR, o deputado Tiririca (SP) desistiu de abandonar a política e concorrerá à reeleição. Com a decisão, anunciada ontem, o palhaço dará sobrevida eleitoral ao grupo do colega Valdemar Costa Neto (SP).
Condenado no mensalão, o secretário-geral e principal dirigente do partido comandou nos bastidores o movimento para demover Tiririca.
A bancada paulista do PR, com quatro integrantes, corria o risco de definhar em 2014 sem a candidatura do palhaço, que teve 1,3 milhão de votos, recorde em 2010.
Ontem, Tiririca associou a perda de espaço na TV, onde protagonizaria programa de humor, à súbita mudança de discurso - em fevereiro, ele havia dito que voltaria se dedicar à carreira artística por estar desiludido com a atividade no Congresso.
Tiririca confirmou, contudo, que pesou na sua decisão o apelo da cúpula do partido e de seus eleitores.
Eleito com os bordões de campanha “Pior que está não fica” e “Você sabe o que faz um deputado?”, negou que esteja encantado pelo poder. “Não me preocupo muito com poder. Sou artista popular e vivo com isso. Me preocupo em dar voz para o povo.”
E completou: “deputado trabalha muito e produz pouco. É um trabalho grandioso. Mas eu chego em casa e falo: não sei como os velhinhos aguentam. Poderiam estar em casa curtindo a família e estão trabalhando”.
Quase dois anos e meio após assumir o mandato, Tiririca apresentou sete projetos e nunca discursou na tribuna. Nenhuma proposta foi aprovada. Tiririca anunciou que fará caravanas em São Paulo, visitando 50 cidades a partir do próximo mês.