Fotos/Reprodução/Quioshi Goto |
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O corpo de Gracielle Roberta Alves foi achado em abril de 2010 |
Após três anos, a Polícia Civil, através de sua equipe de homicídios, esclareceu um crime ocorrido em abril de 2010. Foi apurado que a vítima, Gracielle Roberta Alves, 18 anos (na época), cujo corpo foi encontrado no Rio Bauru, encoberto por um lençol, foi morta por esganadura. O acusado, Augustinho Gilberto Rodrigues, 31 anos, morador do Núcleo Vânia Maria em Bauru, já está preso por roubo.
Conforme noticiado pelo JC, em abril de 2010, o corpo de Gracielle foi encontrado no Rio Bauru, na altura de uma passarela localizada próxima ao cruzamento com a rua Carlos Marques, em avançado estado de composição, impossibilitando seu reconhecimento imediato. Apesar de ser mulher, a vítima trajava roupas masculinas e até cueca.
O delegado plantonista Mário Henrique Ramos,
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O acusado pelo crime, Augustinho Rodrigues, está preso por outro crime |
que acompanhou as investigações preliminares, avaliou que a vítima deveria ter sido jogada no local entre 36 e 48 horas. O corpo estava em posição fetal e não era possível notar lesões.
A equipe de homicídios da Polícia Civil de Bauru começou a investigar o caso mais a fundo. A família de uma garota desaparecida chegou a reconhecer o corpo de Gracielle como sendo Suzana, porém a jovem apareceu dias depois.
“Em julho de 2010 uma família do Núcleo Fortunato Rocha Lima nos procurou dizendo que poderia ser a Gracielle. Nos descreveu ela, inclusive as características de anéis que ela costumava usar. Pedimos então o exame de DNA e o resultado saiu em novembro de 2011”, afirmou o delegado Cledson Luiz Nascimento.
Cruzando dados
Como Gracielle era usuária de crack, a Polícia Civil começou a levantar os últimos locais frequentados por ela, inclusive a favela São Manoel. Mas as investigações apontaram que, antes de morrer, ela foi vista em uma residência localizada na quadra 4 da rua Dona Marieta França, no Núcleo Vânia Maria.
“Nós descobrimos que ela costumava frequentar esse local, onde o Augustinho morava com familiares. Hoje (ontem) efetuamos buscas na casa de um familiar do Augustinho, que acabou confessando ter presenciado o crime. Ela contou que o acusado se irritou porque Gracielle teria furtado entorpecentes e dinheiro dele. Como estava sob efeito do crack, acabou esganando a vítima até a morte”, acrescentou o delegado.
A testemunha relatou à Polícia Civil que viu quando o parente esganava Gracielle, que gritava por socorro. No entanto, ela teria ficado com medo de tentar evitar a morte da vítima, já que o acusado estava muito agressivo e sob efeito de entorpecente.
‘Desova’
“Segundo a testemunha, o corpo de Gracielle permaneceu dois dias no interior da residência, coberto por uma lona. O acusado teria levado o corpo da vítima até o Rio Bauru em uma moto”, afirmou o delegado Cledson Nascimento.
De acordo com o delegado, Gracielle costumava ir até a residência de Augustinho para manter relações sexuais com ele e, assim, conseguir dinheiro e mais entorpecente. Augustinho Gilberto Rodrigues Silva, 32 anos, foi preso em Bauru acusado de roubo, em agosto de 2011. Atualmente ele segue detido na Penitenciária de Álvaro de Carvalho mas deverá responder ainda pelo crime de homicídio qualificado.
“Nós ainda estamos avaliando se vamos requisitá-lo aqui, para que ele seja ouvido, ou se vamos até lá. O familiar dele também fará parte do inquérito. Apesar de ter presenciado o crime e ajudado o acusado a colocar o corpo de Gracielle na moto, ainda não sabemos se ela entra na ocultação de cadáver”, finalizou Cledson.