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Taxa de juros sobe mais que esperado

Por Carolina Matos e Anderson Figo | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O Banco Central subiu ontem o juro básico da economia brasileira, a taxa Selic, em 0,50 ponto percentual, para 8% ao ano. É a segunda alta seguida da taxa. O aumento foi maior que a principal aposta dos economistas, de elevação de 0,25 ponto percentual, e contrasta com o crescimento da economia abaixo do previsto no primeiro trimestre.

O aperto monetário é fundamentado no atual cenário de pressão inflacionária. A divulgação, ontem, do avanço de 0,6% no PIB dos três primeiros meses, ante previsão de 0,9%, havia reforçado, contudo, a hipótese de uma elevação mais branda na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

A alta de juros é um instrumento usado pelo governo para conter o consumo, uma vez que o crédito (tanto empréstimos em instituições financeiras quanto parcelamentos em lojas, por exemplo) fica mais caro. E, com menos demanda, a inflação tende a ceder.

Nas duas últimas semanas, o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou, em duas ocasiões, que a instituição fará o possível para reduzir a inflação, que hoje está em 6,49%, bem acima do centro da meta, de 4,5%.

Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, que estava entre os que projetavam alta de 0,50 ponto percentual, destacou que, apesar do recuo recente, a inflação continua pressionada e merece atenção do Banco Central e do governo.

“O impacto das desonerações e a queda cíclica dos preços dos alimentos têm reduzido a inflação, mas num ritmo menor que o esperado. A persistência da inflação está no centro do debate, das preocupações e dos discursos do governo”, afirmou em relatório.

Poupança ainda paga mais que fundo de renda fixa

O juro básico em 8% ao ano, a poupança continua mais atraente que a maioria dos fundos de renda fixa - considerando o ganho líquido mensal, que desconta taxas cobradas e impostos -, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Nessa comparação, a caderneta se revela uma boa alternativa mesmo após a mudança de regras que reduziu a rentabilidade de aplicações feitas a partir de 4 de maio de 2012.

Pela norma, todos os novos depósitos efetuados na poupança renderão 70% da Selic mais Taxa Referencial (TR) sempre que o juro básico for menor ou igual a 8,5% ao ano.

De acordo com a Anefac, a nova poupança, com rentabilidade de 0,45% ao mês, ganha de todos os fundos de renda fixa com taxa de administração a partir de 2% ao ano, independentemente do prazo para resgate dos recursos.

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