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Empresas de móveis crescem 20%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Se a casa própria deixou de ser um sonho para se tornar a realidade de grande parte dos bauruenses, mobiliar e decorar o novo lar também têm sido um desejo de consumo cada vez mais recorrente. Por conta do grande aumento da demanda por móveis nos últimos anos, o setor registrou aumento no número de empresas, profissionais contratados e salários pagos aos funcionários da cidade.

De acordo com as Estatísticas do Cadastro Central de Empresas 2011 (Cempre), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de lojas em Bauru aumentou de 45 para 54 entre 2010 e 2011, uma oscilação de 20%. Já a quantidade de funcionários contratados cresceu 27,5%, subindo de 338 pessoas para 431 em um ano.

Os salários pagos aos trabalhadores apresentaram melhora de 13%. Em 2010, a média de rendimentos era de R$ 1.559,40, aumentando para R$ 1.762,80 no ano seguinte. As variações estão acima das médias estadual e nacional, que não chegou a 5% em nenhum dos itens considerados.

Segundo especialistas consultados pela reportagem, o setor ainda vive um momento de aquecimento, impulsionado pelo crescimento do poder de consumo da população – em especial da classe média - e pelos incentivos fiscais oferecidos pelo governo federal. Por conta deste fenômeno, até mesmo os estabelecimentos já consolidados na cidade tiveram de diversificar sua gama de produtos para atender um leque maior de consumidores.

Um deles, instalado na zona sul de Bauru, atendia predominantemente as classes A e B até quatro anos atrás. Desde então, viu surgir uma demanda crescente de famílias da classe C, que obtiveram aumento de renda e, consequentemente, do padrão de consumo.

“O consumidor está cada vez mais exigente, mas, além de oferecer bons produtos, temos de facilitar o pagamento. Até por conta do aumento da concorrência, hoje não existe mais venda fácil”, frisa o supervisor de vendas Lucas Gracindo Alves Junior.

Estratégias

Na loja, as compras podem ser parceladas em até 24 vezes, como forma de permitir a qualquer cidadão comum o que antes era privilégio das classes mais altas: design, funcionalidade e peças inspiradas nas principais tendências do mercado.  De acordo com Alves Junior, os itens mais procurados são para as salas de estar e jantar, cômodos onde os moradores costumam receber amigos, para quem podem mostrar seu padrão de vida em ascensão.

Além de produtos diferenciados, o supervisor frisa que a loja – a exemplo de grande parte das empresas do ramo - passou a oferecer serviços gratuitos de consultoria em decoração para atrair clientes. Isso porque, quase sempre, eles costumam pesquisar preços e comparar o custo-benefício antes de decidir pela compra.

É o caso da pensionista Rosângela de Fátima Migliani Fernandes, que comprou, na semana passada, duas poltronas e um sofá por R$ 7 mil, que foram parcelados em dez prestações. “No ano passado, troquei a mesa da cozinha, o tapete e o rack da sala, além de repintar a casa. Mas só gasto quando encontro promoção. Ando muito até achar algo que valha a pena”, ensina.


Serviços

Quem procura a personalização oferecida pelos móveis sob medida, muitas vezes recorre aos serviços de marceneiros, que também verificaram aumento da demanda nos últimos anos. Dono de uma empresa que conta atualmente com três funcionários, Gilberto Ciniciato, 48 anos, conta que viu o volume de trabalho triplicar em dez anos.

“Tenho serviço para o dia todo, todos os dias. É claro que existem períodos em que a procura não é tão grande, mas não dá para reclamar”, diz ele, que atende público das classes A, B e C. De acordo com Ciniciato, o rendimento de marceneiros assalariados gira em torno de R$ 2 mil mensais. Já aprendizes recebem, em média, salário de R$ 800,00 a R$ 920,00.


Classe C

Nos últimos dez anos, os gastos com a aquisição de móveis aumentaram 56,8% no Brasil – de R$ 26,6 bilhões em 2001 para R$ 41,7 bilhões, em 2011. Atualmente, a classe C é responsável por quase metade desse consumo, com 46,5% de participação. Já as classes A e B respondem por 33,8% deste valor e a D contribui com 19,7%.

O levantamento é do Instituto Data Popular, com base nos dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Vários fatores impulsionam crescimento

A maior facilidade de acesso ao crédito, o aumento da oferta de imóveis e o crescimento do poder de consumo da população estão entre os principais fatores que colaboraram para a elevação da demanda por móveis e objetos de decoração nos últimos anos, em Bauru. Associado a isso, em quase todo o ano passado, o governo federal, para estimular a economia, reduziu o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) de produtos da chamada linha branca - como geladeiras e fogões - e também dos próprios móveis.

“As famílias que compraram casa nova, principalmente por meio do Programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, acabaram fazendo questão de trocar os móveis. Com as isenções oferecidas pelo governo e os pagamentos facilitados, tornou-se uma realidade cada vez mais possível”, considera o economista Mauro Gallo.

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