Política

Vereadores reagem à ?partidarização? de programas e recursos habitacionais

Vinicius Lousada
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Malavolta Jr.

Raul Gonçalves de Paula: “Não pode abrir mão de dinheiro dado por achar que outro grupo vai pegar carona”

Os vereadores de oposição ao governo Rodrigo Agostinho (PMDB) estão irritados com a recusa do prefeito ao complemento de R$ 20 mil por unidades habitacional construída pelo programa federal Minha Casa Minha Vida, oferecido pela Secretaria do Estado de Habitação, durante a visita do titular da pasta, Sílvio Torres, na última quarta-feira. As colocações da vice-prefeita Estela Almagro (PT) na edição de ontem do JC incitaram ainda mais a “partidarização” do debate.

Arildo Lima Júnior (PSDB) classificou a situação como assustadora. Recentemente, ele denunciou condições precárias de mobilidade às quais estavam submetidos moradores da favela do Jardim Europa. A construção das casas para as mais de 200 famílias que vivem lá depende ainda de regularização de área junto à União, mas a vice-prefeita rechaçou qualquer auxílio do governo

Neide Carlos

Fernando Mantovani: “Todo dinheiro que vem de graça deve ser motivo para festa, independente de cor partidária”

do Estado.

“Como oferecem dinheiro e o município recusa? Por que não fazer em conjunto? Eu começo a me assustar com esse tipo de postura. Não se pode agir dessa forma, sem sequer discutir ou analisar possibilidades para um trabalho em conjunto. Isso demonstra que as ações têm o único objetivo de fortalecer um projeto político-partidário”, pontua o tucano.

Lima ressalta que os recursos extraordinários poderiam promover melhorias ao padrão dos imóveis construídos pelo Minha Casa Minha Vida, que custam R$ 76 mil. “Seria possível, inclusive, uma adequação nos projetos de acordo com as realidades das famílias com maior número de pessoas. Não podemos tratar os pobres, dando a eles qualquer coisa só para garantir que a cereja do bolo será vermelha”.

Malavolta Jr.

Lima Júnior: “Seria possível uma adequação nos projetos de acordo com as realidades das famílias maiores”

Fernando Mantovani (PSDB) diz que vai levar a discussão para a próxima sessão da Câmara Municipal. “Todo dinheiro que vem de graça deve ser motivo para festa, independente de cor partidária. Tem que pensar na parcela mais carente da população. Assim como muitas pessoas, eu não consigo entender”, avalia.

Esvaziou

O vereador destaca o fato de não ter havido construtoras interessadas na execução das obras de, pelo menos, 73 unidades habitacionais para o desfavelamento do Jardim Marise, São Manoel e Gerson França. O prazo terminou na última quarta-feira, mas a prefeitura o estendeu para o dia 3 de junho. “Esses R$ 20 mil poderiam tornar mais a obra mais atrativa”.

Diferentemente da maioria das unidades construídas pelo Minha Casa Minha Vida, este conjunto não seria formado por prédios, mas sim por imóveis térreos. Este tipo de edificação pode elevar o custo da obra.

O prefeito Rodrigo Agostinho, no entanto, garante que não é este o caso. “Para essas casas, a prefeitura disponibiliza o terreno, então não há gastos com uma área maior”, garante.

Estela Almagro, que coordena o programa habitacional em Bauru, afirma que houve dúvidas em relação ao prazo final para a entrega dos documentos das empreiteiras interessadas em executar a obra. Segundo a petista, pelo menos duas empresas já demonstraram interesse e devem procurar a prefeitura na próxima segunda-feira.


PT nega partidarização

A vice-prefeita Estela Almagro (PT) apontou “alguns problemas” junto à CDHU para justificar ser contra a destinação de R$ 20 mil do Estado para cada unidade do Minha Casa Minha Vida. Disse que a prefeitura doou uma área à companhia em 2011 e que nada teria sido feito.

O gerente regional da CDHU em Bauru, Carlos Ladeira, desconhece e informa não ter recebido nenhuma escritura.

A petista fez ainda outros apontamentos. “Nós tivemos uma experiência (negativa) em relação à favela do Jardim Ivone, que ficou vários anos de posse do governo do Estado, por meio da CDHU, e o reassentamento urbano não virou realidade”, criticou.


Debate desvirtuado

O também oposicionista Raul Gonçalves Paula (PV) conta que não consegue conceber o debate partidarizado nas políticas habitacionais. “Não pode abrir mão de dinheiro dado por achar que outro grupo vai pegar carona. Recusar uma parceria é algo que não entra na minha cabeça”, afirma.

O vereador diz que não há motivos para preocupação quanto aos créditos das obras. “As informações são facilmente ventiladas atualmente e existem as tribunas para ser dito que o governo federal contribuiu com x e o Estado com y, diferenciar a parcela de contribuição de cada um dos entes. Neste caso, o governo paulista é que deveria estar preocupado”, avalia Raul.

O JC consultou também Telma Gobbi (PMDB), da bancada governista. A vereador informou que vai procurar o Poder Executivo para se inteirar sobre o assunto para que, posteriormente, tenha embasamento para se posicionar. “A recusa não deve ter sido à toa”, acredita.

 

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