As regiões de Bauru e Jaú aparecem na lista dos principais pontos de potencial de geração de energia eólica do Estado de São Paulo, segundo o atlas atualizado no início deste ano pelo governo paulista. Botucatu também aparece na lista dos “corredores do vento”, além de Sorocaba e Campinas. Os dados foram apresentados pelo secretário estadual de energia de São Paulo, José Aníbal, durante palestra na Festico-Fimab na última semana.
O Atlas da Energia Eólica mapeia os locais com maior potencial de geração de energia neste segmento. “Além do potencial de ventos no patamar de 6 metros por segundo de média, onde o importante do indicador é ser constante este nível para justificar o potencial, o que temos nesses corredores do mapa da geração de energia renovável é que não precisa construir linhas de transmissão nessas localidades. E essa energia ainda está perto da demanda por cargas”, afirmou o secretário José Aníbal.
Entre os 10 municípios da região que aparecem com ventos médios permanentes a partir de 6 m/s estão, a partir de Bauru, os “corredores” em direção a Arealva, o vale do Tietê entre Jaú e Dois Córregos, a serra de Brotas e, ainda, a serra de Agudos (veja quadros).
Outra vantagem paulista para a geração de energia renovável é que o Estado produz 70% dos equipamentos para produção de energia eólica. “A logística e os custos são menores aqui e já vendemos esses equipamentos vão para regiões distantes”, disse. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica), o segmento ganhou competitividade, com preços abaixo do mercado mundial. Com torres de 100 metros de altura, o País passou a viabilizar projetos no setor em regiões antes consideradas inaptas.
A potência instalada do País em energia eólica é de 6,7 gigawatts. O potencial de crescimento atinge 4,7 mil megawatts, segundo o atlas. Estamos atrás apenas de China e Índia e com investimentos esperados de R$ 7 bilhões por ano. “O aumento anual na capacidade de energia a partir do vento é de 2 gigawatts, o suficiente para atender uma cidade de 11 milhões de habitantes por 12 meses.
Para estimular o setor, o secretário José Aníbal lembra que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou a prorrogação da isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 2015 até 2020 para a produção equipamentos de energia eólica. “E nossa grande vantagem é que são alternativas de energia para consumo concentrado, sem problema de transmissão, como acontece em outros estados”, finalizou o secretário.
“De vento em popa”
Em 2012, a energia eólica é a segunda fonte mais competitiva no País, perdendo apenas para as grandes hidrelétricas. O investimento feito pela indústria eólica no Brasil, considerando o Proinfa e todos os leilões, entre 2004 e 2011, já alcançou R$ 25 bilhões. No período, o País atingiu quase 2 GW de capacidade instalada, distribuídos por parques eólicos localizados principalmente nos estados nordestinos de Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia e nos estados sulistas de Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Até o fim de 2016, deverão ser quase 10 GW de potência eólica, o que significará cerca de 8% de participação na matriz elétrica brasileira. Em 2020, o patamar possível é de 15% de participação da fonte eólica, com mais de 18 GW de parques eólicos.
Produção e consumo
De abril de 2011 a abril de 2012, as 14 concessionárias distribuíram 131.543 GWh para 16,3 milhões de consumidores no País, classificados nos diversos segmentos de consumo. Por segmento, o industrial teve participação de 41,4% do mercado total. Essa participação tem se mantido estável nos últimos anos.
O segmento residencial ficou com 28,2% de participação, com crescimento discreto, mas contínuo, nos últimos anos. O número de consumidores residenciais, em abril de 2012, era de 14,8 milhões. A média mensal do consumo, por consumidor residencial, foi de 214,7 kWh. A classe comercial representou outros 19,8% do mercado total.
Em abril de 2012, a capacidade instalada das usinas hidroelétricas e termoelétricas no Estado de São Paulo era de 19.975,1 megawatts, correspondente a aproximadamente 16,8% do total do mesmo perfil da capacidade instalada no Brasil.
A principal empresa que opera sistemas de transmissão no estado de São Paulo é a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP). Seu sistema elétrico é composto por uma rede com 12.316 quilômetros de linhas de transmissão, das quais 12.283 quilômetros de linhas aéreas (sustentadas por 33.150 torres) e 33 quilômetros de linhas subterrâneas.
Estado vai ter 2 Itaipus de energia limpa e região está no mapa solar
O potencial de energia solar no Estado de São Paulo é de 9.100 megawatt pico pelos próximos cinco anos, segundo o governo paulista. Juntas, as projeções de energia limpa advindas do vento e do sol no Estado equivalem a quase uma usina de Itaipu. De outro lado, a soma do potencial de geração de energia renovável até 2020, apresentada pelo secretário estadual José Aníbal na última semana em Bauru, supera a duas Itaipus.
Aníbal destaca o avanço na área dos subprodutos do setor sucroalooleiro. “A energia a partir da palha e do bagaço de cana vai sair do patamar de 4.500 megawatts para 13.000 até 2020, praticamente uma Itaipu de potência instalada”, mencionou.
Outro ponto é que a geração de energia no setor já não mais coincide com a safra. “Hoje a safra é realizada pelo período entre oito e nove meses e nos três restantes está sendo gerado energia mais limpa nas usinas”, conta.
O reflexo também é positivo para os níveis de emprego no setor. O sindicalista Edson Bicalho confirma que para o empresário de usina não compensa mais demitir os trabalhadores na entressafra. “O custo com demissões não compensa o pequeno período de entressafra, porque hoje se produz nas usinas por nove meses”, citou.
Para o secretário José Aníbal o potencial a ser explorado é ainda maior. “Em Rio Preto já estão fazendo uma alga produzir energia em contato com o açúcar. Cada planta desta plataforma produzirá 300 mil toneladas de óleo para a área de estética. O Brasil hoje importa 200 mil toneladas por ano de óleo para cosméticos. São tecnologias em franca expansão. A vinhaça também já está gerando energia em escala”, mencionou.
Na área de energia de origem solar, a região de Bauru também aparece com potencial no mapa incidência global por Kwh/m2 dia. Os destaques na área central do estado estão para municípios como Itaju, Bariri, Boraceia, Itapuí, Bocaina, Reginópolis, Uru e Ibitinga, segundo o Atlas. O mapa (ver nesta página) aponta as médias anuais por município. O Norte do Estado tem maior destaque, com as áreas mais incidentes cobrindo as regiões de Rio Preto, parte de Campinas, Franca e Araçatuba.