Gastronomia

Bebida de Baco

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Dos tempos em que no Brasil o vinho mais bebido era aquele de garrafa azul, muito cabernet e chardonnay passou embaixo da ponte. E por dentro das taças. O brasileiro não só começou a consumir mais vinho, como também tem desenvolvido sede de conhecimento sobre o tema. A paulistana Karina Alves trabalha em um supermercado há oito anos. Começou como operadora de caixa, até que certo dia a direção da empresa resolveu criar uma adega para investir na venda de vinhos e a convidou para ficar à frente deste novo setor, já que Karina sempre demonstrou gosto especial por este tipo de bebida. A partir daí foi buscar conhecimento e passou a investir em sua formação e hoje está cursando o intermediário na Sommelier School para logo passar ao avançado e ser certificada pela instituição. Desde o convite para assumir a adega já se passaram seis anos. "Toda vez que ia a restaurantes pedia primeiro o vinho, sempre escolhendo por indicações de amigos ou matérias que lia em revistas. Em momento algum podia contar com a ajuda de um profissional na escolha já que nos restaurantes não havia esta assessoria. Isto foi o que me motivou ainda mais a investir na formação de Sommelier", conta Karina.

 

Os cincos sentidos

Saber a diferença entre um vinho bom e um excepcional. Essa é uma das premissas que Wesley Moreira, sommelier e professor da Sommelier School, quer passar aos seus alunos. "Os entendidos dizem que para ter o total prazer de uma taça de bom vinho devem ser exercitados, e usados, os cinco sentidos", conta Wesley. "O faro, que identifica aqueles aromas sutis, tais como de pêssego, fruta escura, canela ou terra molhada, ou a mistura de todos eles. A visão, para apreciar as cores carmim, os tons dourados ou o tinte escuro, porém transparente, e as pernas que mostra seu corpo.

O tato, no jeito de pegar a garrafa e as suaves e finas formas da taça de cristal, e fazer lacrimejar o vinho. O gosto, para que o paladar envie ao cérebro as sensações quase mágicas dos frutuosos, dos sabores ocultos, dos taninos atrasados ou da acidez. Mas você se perguntará: e o ouvido? Bem, para isso há séculos se batem delicadamente as taças.Tim-tim, certo?", sentencia o professor, com seu costumeiro bom humor.

Aprendemos também que a língua é um sofisticado aparelho. Se pensa que todos os sabores são sentidos no mesmo ponto dela, pode ir esquecendo. O professor e sommelier da mesma escola, Vitor Fernandes, explica e nos surpreende. "Há sutilezas que você duvidará até perceber que é a mais incrível realidade. O doce? Se sente na ponta da língua e tem curta duração. Acusam os açúcares e a frutose. Nas laterais e na base da língua se percebe a acidez e a sensação do equilíbrio do vinho. O salgado dispara nas parte lateral central e média, que derivam dos sulfatos, cloretos e tartaratos, e o amargo se sente no interior, quase final da língua. São os compostos fenólicos e os taninos culpáveis desse saborzinho", completa Vitor.


Os cursos oferecidos

As novas turmas da Sommeleier School começam no início de junho e o aluno tem duas opções, uma no Centro, ao lado do Metrô República, no San Juan Business Hotel, com aulas todas às segundas -feiras, ou próximo ao Metrô Consolação, no Hotel Heritage Residence, nas quartas feiras. Os cursos são três: Básico, Intermediário e Avançado, com mensalidades a partir de R$ 145,00. Maiores informações: contato@sommelierschool.com.br ou pelo telefone (11) 3467-1930 (9h às 15h).


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