Não é um fato comum. Quem ler este artigo convirá comigo, um octogenário prestes a completar 82 anos, almoçar com uma sua ex-professora, que também estará completando 98 anos neste 2 de junho. Indiscutivelmente é um fato inusitado, um privilégio e uma bênção que alguns que ainda valorizam este acontecimento raro poderão vivenciar e sentir.
Pois este encontro marcante aconteceu recentemente, no feriado religioso de Corpus Christi, em Garça, na qual eu e minha esposa, regalando-nos com as delícias de um especial e suculento almoço, tivemos a oportunidade de curtirmos a veneranda pessoa de minha ex-professora dona Celeste Marcondes Malavasi, do Curso Normal, cursado naquela cidade.
Como apaixonada e competentíssima professora de canto orfeônico, ensinava e tomava cantos escolares e hinos, acompanhados dos inesquecíveis e, para nós, desajeitados e incompreendidos solfejos. Tínhamos que acompanhar os terríveis solfejos entoando cantigas, hinos e outras músicas que seriam imprescindíveis no futuro para o exercício da profissão de professor primário. Bons e saudosos tempos! Dona Celeste, contrastando com a robustez da idade vivida ao longo dos seus noventa e oito anos, é possuidora de um corpo franzino, de baixa estatura, voz delicada, mas perfeitamente entendível, tem como destaque seus curtos cabelos brancos que simbolizam, principalmente, sabedoria, bondade, respeito, admiração e amor.
Seus passos já são trôpegos, no entanto sua cabeça está melhor do que a minha. É de uma lucidez surpreendente. Pois, junto com a filha Eliana, está projetando a festa dos cem anos. E tenho certeza de que Deus a manterá até a satisfação de seus desejos que são os mesmos de sua família, dos seus amigos e dos seus ex alunos.
Há pessoas que embora sejam frágeis, muito pequenas e humildes se agigantam em nossa frente. Assim é a querida dona Celeste, que ainda com mãos trêmulas faz o seu crochê destinando às peças aos necessitados. Sua companhia é uma escola de vida para quem tem a sabedoria e felicidade de entender. Eu e minha esposa Diva agradecemos o almoço e, creiam, mais do que o corpo, nossas almas foram alimentadas por essa angelical pessoa. Feliz aniversário! E que Deus nos conserve a todos para os festejos dos seus cem anos!.
O autor, professor Joaquim Eliseo Mendes, é membro efetivo da ABLetras