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Índios fazem bloqueios e invasões contra mudança na política de terras

Folhapress
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Com bloqueios de rodovias e até invasão de um diretório do PT, os índios reagiram hoje contra a decisão do governo Dilma Rousseff de alterar a política de demarcação de terras indígenas no País. Na região Sul, em protestos articulados, índios invadiram a sede do PT em Curitiba, enquanto outros grupos bloquearam quatro rodovias no Rio Grande do Sul.

Em Mato Grosso do Sul, onde um índio foi morto na semana passada em confronto com a Polícia Federal, indígenas iniciaram uma marcha de 60 quilômetros para denunciar a tensão fundiária no Estado.

O estopim da reação é a decisão do Planalto de ampliar, até o fim do mês, o poder de órgãos ligados à agricultura na demarcação de terras indígenas, reduzindo o poder da Fundação Nacional do Índio (Funai) nesses processos.

A ideia é que laudos da Funai usados para subsidiar o reconhecimento oficial de terras indígenas sejam confrontados com informações de outros órgãos, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o que atualmente não ocorre. “É importante que a gente tenha o procedimento claro”, afirmou ontem em Brasília a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que já havia dito que a Funai “não tem capacidade” de mediar conflitos entre índios e ruralistas.

Porta-voz das medidas que deverão alterar toda a lógica das demarcações no país, Gleisi foi o alvo principal dos 30 caingangues que invadiram a sede do PT em Curitiba. Os índios associaram a ministra ao agronegócio num cartaz e só saíram após receber a promessa de uma reunião com ela em Brasília.

Reação em cadeia

Paraná e Rio Grande do Sul foram uma espécie de laboratório para as mudanças em discussão. Nas últimas semanas, o governo suspendeu por tempo indeterminado as demarcações de terras indígenas nos dois Estados, alegando que era preciso reavaliar estudos e diminuir tensões.

A reação veio com os protestos, coordenados pela Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul). “A fala da Gleisi piorou (a situação). Já tinha alguns conflitos e se tornaram piores”, disse o cacique Deoclides de Paula, de Faxinalzinho (RS).


Em carta divulgada ontem, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica, disse que ruralistas e Dilma promovem um “ataque” contra os índios.

Em Mato Grosso do Sul, os terenas rasgaram decisão judicial que deu 48 horas para a Funai negociar a saída de representantes da etnia da fazenda em que um índio foi morto na semana passada.

Os terenas voltaram a invadir a área um dia após serem retirados na ação que resultou na morte do índio, na última quinta-feira. Segundo a Famasul, que representa os produtores rurais do Estado, 65 propriedades foram invadidas por índios na área.

Ruralistas do Estado irão a Brasília hoje pedir a deputados e senadores que encaminhem pedido à Presidência da República para que o Exército ou a Força Nacional impeçam novas invasões e garantam a reintegração de posse das áreas já ocupadas.

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