Polícia

Condenados

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Os quatro acusados de assaltar uma oficina mecânica em 2011 e matar o administrador de empresas Pedro do Amaral Júnior foram condenados, ontem, a 25 anos de reclusão pelo crime de latrocínio. Apontado como o homem que atirou na vítima, Marcelo Aparecido Fogaça Junior, 30 anos, recebeu pena igual a de seus comparsas, Rodrigo Mariano Macedo, 24 anos, conhecido como “Oreia”, Erick Calderari da Silva, 21 anos, vulgo “Budio”, e Bruno Eduardo Rodrigues de Souza, 23 anos, o “Brunete”, acusado de ser o mentor do crime.

Ilustração

Quarteto é condenado a 100 anos por morte de comerciante, em 2011

No entendimento do juiz Jaime Ferreira Menino, titular da 2ª Vara Criminal de Bauru, a condenação deveria ser a mesma porque “a associação para a prática de crime em que a violência é parte integrante torna todos os copartícipes responsáveis pelo resultado mais gravoso, nada importando a circunstância de ter sido a atuação de um menos intensa que a de outro”. Os condenados, no entanto, ainda podem recorrer da decisão.

O crime ocorreu na oficina mecânica que Pedro Júnior, 27 anos, ajudava o pai a administrar, localizada na quadra 6 da rua São Vicente, na Vila Bela, região da Vila Falcão. Na tarde de 3 de janeiro de 2011, ele foi surpreendido por dois homens – Erick e Marcelo –, que pretendiam roubar o dinheiro proveniente do pagamento das contas de energia da CPFL, que era recebido no local.

A suspeita é de que o comerciante tenha reagido, o que levou Marcelo, armado com um revólver calibre 38, a atirar duas vezes em sua direção. A vítima foi atingida por um disparo nas costas e chegou a ser socorrida com vida, mas não resistiu à extensão dos ferimentos.

Apenas o aparelho celular e a carteira de Pedro Júnior foram levados. Segundo as investigações, os criminosos fugiram em uma motocicleta, conduzida por Erick. Nas imediações, Rodrigo e Bruno aguardavam a conclusão do assalto em um Gol branco, com o objetivo de ajudar na fuga, numa função que, no jargão policial, é denominada “segundo cavalo”.

Confissão

Um casal de clientes, além de um funcionário que ouviu os disparos, estavam no local. Bruno foi preso em abril do mesmo ano, durante a Operação Arsenal, que desarticulou uma quadrilha especializada em assaltos a carros fortes, empresas e saídas de banco.

Pouco tempo depois, Erick foi preso e condenado por outro roubo. Mas a participação de ambos no crime só foi esclarecida em janeiro de 2012, quando Marcelo foi capturado. Ele confessou aos policiais ter atirado em Pedro Júnior e forneceu detalhes sobre a forma como a tentativa de roubo frustrada foi articulada entre os quatro comparsas.

Rodrigo – que chegou a permanecer preso por 60 dias, mas foi solto no curso das investigações – foi recapturado no mesmo mês, duas semanas depois da prisão do atirador.  Tanto Rodrigo quanto Bruno negaram a participação no crime. Na fase de inquérito, Erick confessou ter dirigido a moto e levado Marcelo na garupa, mas afirmou que não entrou na oficina.

Marcelo, por sua vez, destacou que só atirou porque a vítima teria lutado com Erick e, depois, partido em sua direção. Em Juízo, no entanto, ambos mudaram suas versões e disseram não ter ligação com o latrocínio.

Os quatro foram condenados, entre outros motivos, devido à contradição dos depoimentos, somada às informações fornecidas pela quebra do sigilo telefônico do grupo, que demonstrou vários chamados entre eles antes e depois do latrocínio, inclusive na área onde fica a oficina mecânica. Eles cumprirão a pena nas unidades prisionais em que já estavam encarcerados.


Réu primário

Dos quatro criminosos, apenas Marcelo Aparecido Fogaça Junior, que atirou na vítima, era réu primário. Mas, de acordo com a sentença, recebeu a mesma pena de seus comparsas porque “todos estavam envolvidos em crimes de roubo e porte de arma de fogo que estavam em investigação, demonstrando assim personalidade voltada para o crime contra o patrimônio”. A pena para o crime de latrocínio varia de 20 a 30 anos de reclusão.


‘A justiça foi feita’

Aos 67 anos, Pedro do Amaral, pai do administrador de empresas assassinado em 2011, continua no comando da oficina mecânica que foi palco da tragédia que marcou toda a família. Foi no estabelecimento que a reportagem o localizou, ontem, para trazer a notícia sobre a condenação recebida pelos criminosos que mataram seu filho caçula.

“Não estava sabendo. O que posso dizer é que um cristão, como sou, consegue relevar muitas coisas. Mas um crime como este não tem perdão. A justiça foi feita”, comemora.

Apesar de feliz ao ser informado sobre a condenação, Amaral disse ter sido tomado por uma mistura de sentimentos, que incluiu, também, tristeza. “Fico chateado ao lembrar de tudo o que aconteceu. Queria que fosse eu no lugar dele. Meu filho tinha toda a vida pela frente, estudava e tinha muitos sonhos”, lamenta.

De acordo com ele, ao longo destes últimos dois anos, a família tem tentado retomar a vida, embora a saudade e sensação de inconformismo permaneçam as mesmas. “Nada alivia a perda de um filho. Mas, como não tem como trazê-lo de volta, saber que estes cidadãos receberam uma pena alta vai fazer com que eu durma mais tranquilo a partir de hoje”, frisa.

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