Semanas atrás, ao ler nos jornais que o deputado Tiririca manifestara a intenção de desistir da carreira política, deixando de concorrer à reeleição ou à disputa qualquer outro mandato nas urnas de 2014, cheguei a admirar esse exemplo de bom senso. "Aí está um cidadão honesto e franco, não um carreirista, diferente de tantos outros enganadores com assento permanente no Congresso Nacional" - pensei.
Depositário de 1,3 milhão de votos no pleito de 2010, sufragado em quase todos os municípios de nosso Estado, Tiririca proporcionara a seu partido a garantia de razoável bancada na Câmara Federal. O eleitorado de Bauru e região fora generoso para com ele e essa generosidade contribuíra para reduzir as chances de candidatos locais, despojados, só em Bauru, de 2.700 sufrágios.
Prestes a terminar o quadriênio dos eleitos em 2010, qual a performance de Tiririca em retribuição a seus eleitores? Embora presente à maioria das sessões, praticamente pouco produziu. Apresentou meia dúzia de projetos - nenhum aprovado. Nunca usou a tribuna, seja por falta de assunto, seja pela dificuldade de tomar posições corajosas na defesa do interesse público.
Ao justificar a candidatura em 2010, Tiririca procurou afastar restrições ao seu despreparo. "Pior do que está não fica" - afirmou. O eleitorado acreditou e deu a ele recorde individual absoluto - acima de um milhão de sufrágios!
"Será que não ficou pior?" - perguntam os cidadãos brasileiros. Os candidatos que Tiririca ajudou a carregar nas costas, engrossando sua legenda, mereceriam o mandato não fosse a "ajudazinha"?
Preparemo-nos para a repetição da aventura do palhaço Tiririca, já que ele, assessorado por profissionais do bla-bla-bla político, autores das gracinhas de quatro anos atrás, recuou da "aposentadoria" e já deve estar preparando nova e rentável campanha baseada no bordão vitorioso em sua estreia nos palanques.
Para terminar: qual a razão que teria levado Tiririca a desdizer o dito e tentar mais quatro anos de convivência com seus colegas do Congresso Nacional? Ele explica: atende aos apelos da cúpula de seu partido! Má notícia para os nossos pré-candidatos a deputado federal pela região.
Somados "Tiriricas" e habituais aventureiros de fora, aqui presentes em todos os pleitos, os votos locais sofrerão vultoso desfalque.
Resta-nos aguardar as mensagens jocosas, provavelmente semelhantes às que os marqueteiros produziram para Tiririca em 2010 para levar o eleitorado a consagrá-lo de novo nas urnas. Talvez nem seja necessário mudar o "pior do que está não fica". O cenário político em Brasília continua deplorável, o que nos leva a crer que os "palhaços" continuarão encontrando um picadeiro rentável no legislativo brasileiro.
O autor, Nilson Costa, é jornalista e presidente da Academia Bauruense de Letras