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Medicina cubana

Helder Ferreira
| Tempo de leitura: 3 min

Um mito que faz parte da humanidade, quanto mais se fala, mais se afirma, mais se divulga, e todos acreditarão. A medicina em Cuba é mais um interesse do Estado ao invés de ser dos pacientes. O presidente do Conselho Federal de Medicina foi a Cuba verificar o porquê de os médicos cubanos não serem aprovados para trabalhar no Brasil. E o que ele constatou foi algo surpreendente, pois esse médico brasileiro, pneumologista aprovado pela Comissão Brasileira, foi até Cuba para observar o ensino médico cubano, e aplicar uma prova aos melhores alunos escolhidos pelas universidades de Cuba.

A taxa de aprovação desses médicos formados em Cuba no exame que valida o diploma de estrangeiro foi baixíssima. Dos 182 médicos melhores e escolhidos para os exames, somente 20 foram aprovados, e sem muita capacitação. Perguntas assolam a mente da comissão de médicos que foram fazer as avaliações, na bela e hospitaleira ilha: 1- Por que os médicos formados em Cuba não conseguem ser aprovados e revalidar seus diplomas no Brasil? 2- Será o processo brasileiro de revalidação profissional do diploma exigente em excesso?

O que o Conselho Federal de Medicina constatou: que as provas aqui realizadas, contém teor nada absurdo ou exagerado, eram as mesmas provas adotadas, vejam bem, para os cubanos aqui no Brasil, o Provão de Residência para ingresso nas residências. Isso confrontava para nossa comissão brasileira a mítica competência cubana de formar médicos. O que a comissão encontrou foram 600 estudantes brasileiros ali se preparando para serem médicos, sem prestar vestibulares.

Chegaram ali por um sistema autofinanciado de U$ 8.000 anuais, ou mediante a um sistema seletivo confuso e não democrático, onde predominam as indicações políticas. Lá foi possível constatar que os estudantes seguem incontestavelmente o controle da prática médica pelo governo cubano, lá os médicos fazem apenas o que o Estado cubano lhes permite fazer. Isso significa adequar os seus conhecimentos às possibilidades provedoras do Estado, o que, a olhos vistos, são limitadas e insuficientes, conforme foi apresentada pelas autoridades de saúde do governo cubano. Tudo isso tem reflexos sobre o tipo de formação médica ali instituída.

A comissão brasileira de médicos chegou à conclusão que os médicos cubanos não conseguem a aprovação nos exames de revalidação de diplomas no Brasil porque sua formação é deliberadamente limitada, insuficiente para exercer uma medicina plena como precisamos e exercemos aqui. A comissão voltou de Cuba absolutamente convicta que a medicina cubana é séria, porém insuficiente. Os professores são dedicados, os alunos que frequentam são estudiosos segundo seus mestres, mas as faculdades de medicina de Cuba precisam modificar os seus currículos urgente, para que os seus alunos consigam obter êxito quando da revalidação de seus diplomas no Brasil. Aliás, como fizeram para os alunos norte-americanos, que para eles os currículos foram modificados para que obtenham sucesso nos EUA. Hoje, como está o aprendizado em Cuba, não terão aval de nossa sociedade e dos órgãos da classe médica.

O autor, Helder Ferreira, é médico pediatra em Bauru

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