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Após 4 dias, MST deixa fazenda...

Por Vitor Oshiro | Colaborou Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 3 min

Após a Justiça de Lençóis Paulista ter determinado reintegração de posse, os cerca de 300 acampados que haviam ocupado a Fazenda Santo Henrique, localizada na altura do quilômetro 77 da rodovia Osni Mateus (SP-261), em Borebi (32 km de Bauru), deixaram a propriedade ontem. Porém, antes de deixar a propriedade onde está instalada a Cutrale, o local foi depredado.

A ocupação da fazenda ocorreu no último domingo, conforme noticiado pelo JC. Ontem foi o prazo máximo emitido pela Justiça para que eles deixassem o local. Se descumprissem a ordem judicial, seriam penalizados com uma multa diária de R$ 500,00.

Por volta da manhã de ontem, o grupo deixou o local e ocupou o escritório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Bauru (leia mais na página ao lado). Antes de deixar a fazenda, entretanto, os acampados deixaram um rastro de destruição.

A reportagem esteve na Cutrale e constatou os danos. Grande quantidade de laranjas foi dispensada e jogada ao chão. Algumas foram utilizadas para montar um grande mosaico de repúdio à Cutrale.

Os mesmos dizeres pedindo a saída da empresa e criticando o uso de agrotóxico (“veneno”, nas palavras do MST) estavam estampados em várias pichações pelas paredes da propriedade e em veículos.

A estrutura também foi danificada. Várias fechaduras foram arrombadas e os armários dos banheiros foram completamente destruídos. Há ainda a suspeita de que houve furto de implementos agrícolas no local.

Por meio de uma sucinta nota emitida pela assessoria de comunicação, a Cutrale informou que a empresa ainda está, por meio de uma auditoria, calculando os prejuízos por conta da invasão e, por isso, “não há estimativa de valores”. Um levantamento parcial deve ser divulgado hoje.

Já o advogado do MST, Nilcio Costa, diz que os atos de vandalismo não são uma política do MST. “Se ocorreu alguma depredação, é alheia ao movimento. Não é nossa política. Se um dos membros for pego depredando algo, ele é excluído”, afirmou.


Inquérito

O delegado Jader Biazon, responsável pelo expediente de Borebi, afirmou que será instaurado um inquérito por dano, furto e esbulho possessório para apurar o que foi realizado na Fazenda Santo Henrique. “A tentativa é individualizar a ação, porém é algo difícil por ser um grupo muito grande. Mas o procedimento é de tentar apontar a autoria de cada um”. A Polícia Científica foi acionada à propriedade para a realização da perícia. “A empresa (Cutrale) está levantando o que foi furtado ou vandalizado”. A partir desse levantamento é que as apurações da Polícia Civil seguem.

Esta não é a primeira vez que a Santo Henrique é invadida. Na última década, conforme o JC apurou, foram outras quatro ocupações por parte do MST. A de maior repercussão foi em setembro de 2009. Na ocasião, ocupantes foram filmados derrubando cerca de 12 mil pés de laranja. Ao todo, 11 integrantes chegaram a ser presos, porém posteriormente foram libertados pelo Tribunal de Justiça.


A polêmica fazenda

De acordo com uma das coordenadoras do MST, Ana Carolina Mazin, a fazenda é uma área pública explorada irregularmente há dez anos pela Cutrale. O MST alega que 2,6 mil hectares do terreno foram grilados pela empresa e são utilizados ilegalmente. É por isso que o movimento reivindica a área, já reconhecida pela Justiça como pública, para a reforma agrária.

“Além do não respeito às áreas de reserva legal, os sem-terra denunciam a enorme utilização de agrotóxicos pela empresa na produção de laranja, contaminando o meio ambiente e intoxicando trabalhadores da própria Cutrale”, declara Mazin.

 

Veja imagens da ação do MST:

 

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