O governo americano admitiu ontem que há sete anos coleta as ligações telefônicas de milhões de usuários americanos, confirmando denúncia do jornal britânico “The Guardian”. O jornal revelou decisão judicial secreta que obrigava a companhia telefônica Verizon a entregar ao governo dados da atividade telefônica fixa e celular de todos os seus clientes entre 25 de abril e 19 de julho deste ano.
O motivo seria identificar comunicação entre terroristas, mas não houve explicação do governo sobre algum caso específico que teria levado à prática.O relatório inclui quem fez a ligação, quando ocorreu e o tempo de duração, mas não permite ao governo ouvir as conversas. O governo acrescentou que os pedidos de informações não se restringiram à Verizon, nem às datas do documento obtido pelo “Guardian”, e que tal monitoramento é feito desde 2006.
Outra denúncia, feita pelo jornal “The Washington Post”, diz que o governo usa um programa secreto chamado Prism, desde 2007, que tem acesso direto aos servidores de gigantes como Google, Microsoft, Facebook e Apple, com acesso a contas e emails.
Boa parte dos sistemas de vigilância pelo governo foi autorizada pela chamada Lei Patriótica (Patriot Act), assinada em 2003 pelo ex-presidente George W. Bush após os ataques de 11 de setembro de 2001. A revelação do monitoramento de milhões de usuários acontece semanas após o governo assumir que estava tendo acesso a registro de ligações de jornalistas.
Em editorial, o jornal “The New York Times” afirmou que Obama perdeu “toda a credibilidade” e que a vigilância “é um abuso de poder”.