A Cutrale informou ontem que estima prejuízos em R$ 200 mil na fazenda Santo Henrique, em Borebi (45 quilômetros de Bauru), após a depredação nas instalações pelas cerca de 300 pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na desocupação da área anteontem por decisão da Justiça de Lençóis Paulista que determinou a reintegração de posse.
A fazenda é a mesma ocupada pelo MST em outubro de 2009. Na época, imagens gravadas de helicóptero pela Polícia Militar flagraram os sem-terra destruindo 12 mil pés de laranja com o uso de tratores.
Segundo assessoria de imprensa da empresa, os primeiros levantamentos realizados na unidade agrícola invadida demonstram prejuízos não só ao patrimônio da empresa, mas em relação ao meio ambiente, por conta da violação de diversas embalagens com defensivos agrícolas. Pertences dos funcionários também foram violados por conta do arrombamento de armários com pertences pessoais deles.
Aproximadamente 81 toneladas de laranjas foram dispensadas e jogadas ao chão, aponta o levantamento. Algumas foram utilizadas para montar um grande mosaico de repúdio à Cutrale. Os mesmos dizeres pedindo a saída da empresa e criticando o uso de agrotóxico (“veneno”, nas palavras do MST) estavam estampados em várias pichações pelas paredes da propriedade e em veículos.
A empresa informou que várias fechaduras foram arrombadas e os armários dos banheiros foram completamente destruídos. Há ainda a suspeita de que houve furto de implementos agrícolas no local.
De acordo com a Cutrale, os funcionários da colheita não puderam trabalhar por quatro dias e ontem eles fizeram a limpeza do local. Os prejuízos já estão estimados em torno de R$ 200 mil. “Parte do maquinário de produção, alojamentos, fechaduras e cadeados foram destruídos, chaves, equipamentos, ferramentas de cozinha, motores de tratores, ônibus e caminhão teriam sido furtados”, consta no relatório. Esta foi a quarta vez que a fazenda foi invadida nos últimos cinco anos.
O delegado Jader Biazon, responsável pelo expediente de Borebi, declarou que será instaurado um inquérito por dano, furto e esbulho possessório para apurar o que foi realizado na Fazenda Santo Henrique. Ele aguarda os levantamentos da empresa para começar a ouvir os envolvidos. A Polícia Científica também fez a perícia.
Ontem a reportagem não conseguiu localizar a representante do MST, Ana Carolina Mazin, que esteve na fazenda invadida. Após a desocupação, ela afirmou que a fazenda é uma área pública explorada irregularmente há dez anos pela Cutrale.
O MST alega que 2,6 mil hectares do terreno foram grilados pela empresa e são utilizados ilegalmente. É por isso que o movimento reivindica a área. A empresa nega que ocupe ilegalmente a área.
Em nota, anteontem, o superintendente do Incra-SP, Wellington Monteiro, afirmou que a área invadida realmente é pública.
Em 2007, segundo ele, houve um acordo de permuta (a Cutrale ficaria no local e cederia uma propriedade com as mesmas proporções para a reforma agrária), mas teria sido descumprido pela Cutrale.
A empresa conseguiu a “cassação da liminar de imissão de posse” na segunda instância da Justiça federal.