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Motoristas ameaçam greve para quinta-feira

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Parte dos motoristas e cobradores do transporte coletivo decidiram, em assembleia realizada na tarde de ontem, que entrarão em greve, por tempo indeterminado, a partir da próxima quinta-feira. Eles reivindicam que a Associação das Empresas do Transporte Coletivo de Bauru (Transurb) receba uma comissão de trabalhadores para negociar o reajuste salarial para a categoria.

Na última quarta-feira, eles cruzaram os braços entre as 5h e 7h, sem aviso prévio, deixando sem transporte milhares de munícipes que dependiam dos circulares. O movimento, porém, não teve a participação do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindtran).

A entidade promoveu assembleias na última terça-feira, nas quais foi aprovada a proposta de reajuste apresentada pelas empresas concessionárias. Valter Dutra, que lidera o movimento, diz que o processo foi fraudulento, pois contou com participação de trabalhadores de outras categorias. O sindicato rechaça a acusação. Existe uma rixa interna entre o comando do sindicato e o grupo que articula a mobilização. “Na quinta-feira, deixei meus contatos com as empresas e pedi que me procurassem para que iniciássemos o diálogo. O fato de eles conversarem com a gente não mudaria em nada. Mas a situação deixou claro que a Transurb está do lado do sindicato. Uma conversa com o nosso grupo é a única forma de recuarmos da greve”, afirmou Dutra, na tarde de ontem.

Da assembleia de ontem teriam participado, aproximadamente, 200 trabalhadores, segundo o líder do grupo. Apenas dois teriam se posicionado contra a paralisação. A equipe do JC foi até o local, mas foi impedida por seguranças de fotografar. De acordo com Dutra, até o dia em que se iniciará a greve, os motoristas entregarão panfletos avisando  à população.

Consultada pelo JC, a Transurb informou que desconhecia a mobilização em torno da greve. Além disso, o acordo coletivo que institui o reajuste da categoria foi assinado pelo Sindtran na última quinta-feira, com o respaldo da assembleia realizada pela entidade dois dias antes.

As empresas concessionárias já tinham avisado que negociaram apenas com a entidade que possui legitimidade legal para representar a categoria de trabalhadores. Por conta da paralisação sem aviso prévio na semana passada, o departamento jurídico da Transurb também avalia quais medidas poderão ser tomadas.

Presidente do Sindtran, José Rodrigues da Silva afirma que mobilização é ilegítima e diz que Valter Dutra não tem autoridade legal para promover assembleia.


Oferta e reivindicação

A associação oferece 8,52% de reajuste salarial e vale alimentação de R$ 360, diante dos R$ 330 pagos hoje. Consta ainda na proposta pagamento de 21% na Participação de Lucros e Resultados (PLR). Os manifestantes pedem aumento de 12% no salário.

Para o vale alimentação, o pedido é de R$ 400,00. Além disso, querem também aumento na comissão de catraca, que ganham a partir do que arrecadam as linhas. Hoje, ela é de 1% para as tarifas pagas por cartão e 1,5% por dinheiro. “Queremos pelo menos 2%”, diz Silva.


Rixa antiga

Líder da mobilização paralela dos motoristas e cobradores, Valter Dutra era vice-presidente do sindicato até o ano passado. No entanto, antes do fim da gestão rompeu com o restante da diretoria e, durante o período eleitoral para o pleito municipal, organizou paralisação sem aviso prévio e sem anuência do Sindtran.

Em fevereiro deste ano, houve eleição para a diretoria da entidade. Valter montou sua chapa de oposição, mas a atual diretoria foi reeleita por esmagadora maioria. Havia ainda outras duas chapas concorrentes. O clima da disputa foi tão acirrado que o começo da votação foi marcado pelo vandalismo, inclusive com bombas.

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