Então a "Filarmônica Bachiana", sob regência de João Carlos Martins, vem a Bauru se apresentar de graça?! Oba, que maravilha!!! Desconheço o repertório, mas a idéia de assistir a um concerto na minha cidade me anima. Empolgado e desinformado vou ao Teatro Municipal de Bauru, onde estavam sendo distribuídos os ingressos. Chego lá pelas 11 horas. Topo com um aviso de que os ingressos só seriam distribuídos às 14 horas. Pois bem. Vou à biblioteca, pego uns livros e vou embora. Saí as 11:44 (sei o horário exato porque está no recibo de empréstimo dos livros), não havia nenhum sinal de que àquele horário começaria a se formar uma fila.
Tolamente, seguindo as instruções do próprio Teatro, retorno 10 minutos antes das 14. Para minha surpresa, antes do horário previsto para começarem a distribuir os ingressos, os mesmos já estavam esgotados. "Como é possível?!" Me perguntava a mim mesmo. Fui informado que a fila para os ingressos começara a se formar ao meio dia. "Mentira!" Eu sai do Tetro à esse horário e não havia ninguém esperando pela abertura da bilheteria. Fui mandado embora por uma dupla esquisita de crachá. No meio do caminho de volta, me sentindo frustrado e meio idiota, vou até o carro para confirmar o horário que saí do Tetro no recibo da biblioteca. Confirmo, 11:44. Faço minha volta indignada ao Teatro . Lá uma fila ? não tão grande ? de pessoas com senhas, começa a se mover. Vou em direção a fila paralela de pessoas sem ingressos que começa a se formar. São os mais persistentes, em número considerável.
Conclusão. Vou embora sem um ingresso. Ficaria feliz com um ingresso, mas a essa altura isso era o que menos importava. Fiquei me perguntando quem era mais selvagem, as pessoas que supostamente teriam perdido o horário do almoço para ficar esperando por ingresso na fila ou o órgão público que as obrigou a isso? Eu estive ao meio dia no Teatro, poderia ter esperado na fila, se àquela hora houvesse fila. Não era tão grande a fila de privilegiados que conseguiram senhas e, por conseguinte, ingressos. Fiquei sabendo depois, ao ler o Jornal da Cidade, que apenas 250 convites foram distribuídos, outros 200 já estavam reservados; 100 para o patrocinador da Orquestra e mais 100 para os músicos integrantes da Banda Municipal e Orquestra Sinfônica Municipal de Bauru.
Oras, se uma entidade pública promove um evento gratuito para o público, o mínimo que deveria fazer é facilitar o acesso. Não obrigar as pessoas a chegar com duas horas de antecedência à hora prevista para distribuição dos ingressos, a fim de garantir o seu. Como é possível esgotarem os ingressos antes da hora prevista para distribuição dos mesmos? Em um evento gratuito ao público, como é possível reservar previamente metade do espaço? Ao invés de promover a cultura, a Secretaria Municipal de Cultura está promovendo a selvageria, a exclusão e um falso elitismo. Deveria no mínimo se retratar publicamente a população da cidade e se comprometer a não cometer o mesmo descaso em uma próxima tentativa. Que sejam mais democráticos na próxima! É fácil acusar o povo de falta de cultura, quando em realidade é o poder público que está negando ao povo o direito à cultura.
Tauan Mateus Gobbi Grossi - professor de História