Internacional

Premiê diz que paciência de seu governo com protestos tem limite

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou ontem que a paciência do governo com os protestos tem limites, em um novo desafio aos manifestantes. O discurso foi feito em um evento de apoio, que juntou milhares de aliados.

Erdogan mantém o tom de ameaça após dez dias de confrontos entre manifestantes e a polícia em diversas partes do país. Os atos foram convocados após a reação dos agentes de segurança a um protesto contra a construção de um shopping no local de um parque em Istambul, no dia 31.

A reação dos agentes de segurança foi considerada desmedida pelos opositores e causou novos protestos, que atraíram outros setores insatisfeitos. Mais cedo, Erdogan chamou os manifestantes de “saqueadores” e disse que não se intimidaria com as manifestações. “Temos paciência e continuamos tendo paciência, mas nossa paciência tem limites”, disse, em Ancara.

No aeroporto de Ancara, ele disse que os protestos não são motivo de preocupação, já que a Turquia viveu no passado acontecimentos parecidos. “Ninguém tem que ser pessimista. Ninguém tem que ficar preocupado. A Turquia, que já viveu no passado muitos acontecimentos, também vai superar isto”.

Ele pediu que os milhares de aliados que o seguiam na manifestação “ensinem uma lição” aos manifestantes por meio das urnas no próximo ano, quando a Turquia realiza eleições locais e presidenciais.

“Aqueles agora em Taksim, aqueles que queimam e destroem, aqueles em vários locais em todo o país, eu lhes pergunto: em nome de qual a liberdade vocês estão fazendo isso? Restam apenas sete meses para as eleições locais. Peço que respondam a estas pessoas com uma primeira lição pela via democrática, nas urnas”.

As manifestações são o maior desafio enfrentado por Erdogan desde que assumiu o poder, em 2003. Até agora, os protestos causaram a morte de dois manifestantes e um policial e deixaram mais de 4.000 feridos. Na noite de ontem, houve novos confrontos com a polícia em Ancara e Istambul.

O tom duro usado por Erdogan, no entanto, não é seguido por seus aliados, que buscam amenizar o discurso e pedir desculpas pela repressão. Hoje, foi a vez do governador de Istambul, Hüseyin Avni Mutlu, de pedir perdão aos manifestantes por causa dos confrontos nos protestos.

“Temos que pedir perdão pelos excessos e os erros individuais que ocorreram às vezes nesse assunto. Peço mil perdões”, disse, em mensagem no microblog Twitter, o governador, que é uma das autoridades que os manifestantes querem ver fora do poder.

Ontem, milhares de pessoas se reúnem em Ancara e Istambul contra o governo. Em Istambul, os atos se concentraram no parque Gezi e na praça Taksim, onde também há um acampamento de estudantes

Comentários

Comentários