O Google resolveu ontem pedir permissão ao governo dos EUA para divulgar um relatório sobre o volume e o alcance das demandas feitas pelas autoridades para obter dados de usuários em nome da segurança nacional.
A solicitação, publicada no blog institucional do Google, é uma reação ao escândalo provocado pelo vazamento da existência de um programa do governo para monitorar telefones e dados na internet. As revelações foram feitas pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden.
A carta é endereçada diretamente ao secretário de Justiça, Eric Holder, e ao diretor do FBI (polícia federal americana), Robert Mueller.
Preocupada com sua imagem, a companhia cita seu “esforço para conquistar a confiança dos usuários”, afirmando que resistiu a demandas governamentais pela abertura de dados privados.
Outra reação desencadeada ontem partiu da ONG American Civil Liberties Union (ACLU), que entrou com ação judicial contra a administração Obama, na primeira contestação jurídica de peso desde que o caso estourou.
Para a entidade, o programa de vigilância do governo “viola os direitos constitucionais americanos de liberdade de expressão, associação e privacidade”.
A ACLU, que já havia anunciado a pretensão de levar a espionagem à Justiça nesse caso, já fez outras contestações a políticas secretas de segurança da Casa Branca.
O governo sempre rebateu, argumentando que a entidade seria incapaz de comprovar danos causados por programas confidenciais - além de, com o litígio, colocar o sigilo dos projetos em risco.
Agora, no entanto, ao assumir a vigilância, o governo tornou o assunto público.
Obama também deve ser cobrado pela chanceler Angela Merkel em sua visita à Alemanha na próxima semana - autoridades alemãs demonstraram insatisfação com a espionagem americana.
Também hoje, a Booz Allen Hamilton, empresa onde trabalhava Edward Snowden, que assumiu ser o responsável pelo vazamento, demitiu o funcionário, afirmando que ele desrespeitou os padrões éticos da companhia