O prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional que revelou o monitoramento top-secreto do governo de dados telefônicos e da Internet diz que pretende ficar em Hong Kong e que vai lutar contra qualquer esforço de levá-lo de volta aos Estados Unidos para enfrentar acusações.
Edward Snowden, em suas primeiras declarações públicas desde que saiu de vista em Hong Kong na segunda-feira, disse que não viajou até a ex-colônia britânica para evitar punição por ter vazado detalhes do programa de vigilância. “Não estou aqui para me esconder da justiça. Estou aqui para revelar a criminalidade”, disse Snowden ao South China Morning Post, um jornal de língua inglesa de Hong Kong, em uma entrevista publicada ontem.
“Minha intenção é pedir aos tribunais e ao povo de Hong Kong que decidam meu destino”, disse Snowden. “Tive muitas chances de fugir de Hong Kong, mas preferi ficar e combater o governo dos Estados Unidos nos tribunais porque tenho fé no Estado de direito de Hong Kong.”
Snowden revelou detalhes na semana passada do vasto monitoramento do governo norte-americano de dados da Internet e telefônicos de grandes empresas como Google Inc e Facebook Inc em vazamentos para os jornais Guardian e Washington Post.
A revelação provocou uma investigação criminal e uma revisão interna da administração Obama dos danos em potencial à segurança nacional, enquanto cresce a pressão de parlamentares e grupos de defesa de direitos para impor controles mais rígidos à vigilância doméstica.
Snowden, que trabalhava em uma instalação da NSA como funcionário da empreiteira Boos Allen Hamilton, atraiu uma mistura de condenação e elogio pelas revelações. A polêmica provocou um novo debate sobre o equilíbrio entre direito de privacidade e preocupação com a segurança nos Estados Unidos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.
“Não sou nem traidor nem herói. Sou um americano”, disse Snowden ao jornal.