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A arte de comer carboidratos

Eliane Petean Arena
| Tempo de leitura: 4 min

Fechar a boca para os carboidratos. Essa é a primeira atitude que quase todo mundo toma quando decide emagrecer. E aí, tudo que é tão gostoso e que todos adoram comer passa a ser deixado de lado: os pães, as massas, as batatas, o arroz etc. Sempre visto como o vilão das mesas, na verdade o carboidrato é a principal fonte de energia do nosso organismo. Atuando como uma espécie de "combustível", energiza o nosso cérebro, que precisa da glicose para exercer as funções vitais. Em nosso cardápio cotidiano, nós ingerimos vários tipos diferentes de carboidratos. Porém, após a digestão, todos eles se igualam, se transformando em moléculas de glicose, que nada mais é que o açúcar. O que ocorre após a digestão, é que quando essas moléculas são armazenadas em nosso organismo, as células de glicose se organizam formando outra célula mais complexa, com capacidade para guardar bastante energia: a famigerada gordura. Por isso é que os carboidratos em excesso causam pavor, pois realmente, apesar de serem nutrientes energéticos, podem engordar.

Mas você sabia que também existem os carboidratos "do bem" e que esses nós devemos caprichar no consumo? Conhecido como amido resistente, essa espécie de carboidrato é rica em fibras e nutrientes. Isso faz desse alimento um grande aliado de qualquer dieta, pois, ao ser digerido, ele evita os picos da fome, controla a glicemia, a ansiedade e ajuda no funcionamento intestinal, além de também colaborar na conquista de mais disposição física e mental.

Todos esses bons efeitos ocorrem por que o amido resistente não é digerido pelas enzimas gástricas, sendo eliminado pelo corpo junto com parte das gorduras e açúcares ingeridos. Ou seja: o carboidrato do bem leva embora com ele tudo aquilo que nos engorda. Porém, esse efeito só é conquistado se o alimento for cozido ou aquecido antes do consumo, pois essa função "desengordurante" é uma reação química provocada pelo calor.

Por outro lado, os carboidratos do mal são aqueles que estão presentes no glúten, uma proteína de origem vegetal que é encontrada em diversos cereais como trigo, centeio, malte, aveia e cevada. Usado na fabricação de pães, massas, biscoitos e bolos para dar liga à massa e deixar a receita mais macia, eles precisam ser reduzidos ou retirados mesmo de seu cardápio, quando o seu intuito é a perda de peso.

Quando chega ao intestino, o glúten se transforma numa espécie de cola, grudando nas paredes intestinais, o que causa a dificuldade de absorção dos nutrientes e ainda atrapalha o processo da digestão. Essa proteína é responsável pela dilatação do abdômen, e também pela redução da produção de serotonina, hormônio responsável pelo bem-estar.

Uma alimentação sem glúten favorece a eliminação do excesso de líquidos corporais, melhora o funcionamento do intestino e, consequentemente, diminui o acúmulo de toxinas. Ficar sem o glúten tem outra vantagem: a maioria dos alimentos que carregam essa substância é calórica e por isso, sem eles, emagrecer fica mais fácil. Durante a dieta, as frutas, as verduras, os legumes e as raízes como cará, inhame, batata-doce, mandioca e derivados (tapioca, biscoito de polvilho, pão de queijo) serão as fontes de carboidrato. Esses são alimentos que garantem energia necessária sem a presença inconveniente do glúten.

Dos grãos que contem glúten (trigo, aveia, cevada, centeio e outros), o trigo é o grande vilão e o motivo é obvio: o excesso do seu consumo provoca incompatibilidades capazes de deteriorar a saúde, provocando, dentre outros males, a tão apavorante obesidade.

Cada vez mais, as pesquisas vêm demonstrando que a presença do glúten no organismo causa muitos malefícios, até para pessoas que não são portadoras da doença celíaca, aquela que representa uma intolerância permanente a esse tipo de alimento.

Enfim, há ótimas notícias para quem gosta de massas e quer emagrecer. Há muitas variedades, hoje em dia, de pães, massas, bolos, tortas, pizzas, salgados e doces que são feitos com farinha de arroz, fécula de batata, polvilho doce ou azedo, amido de milho, fubá, farinha de grão de bico e etc. Quem faz uma dieta sem glúten precisa conhecer e se adaptar a novos cardápios e sabores. Com os carboidratos "do bem" todos podem se deliciar com uma vida saudável e um corpinho em forma.

A autora, Eliane Petean Arena, é nutricionista - CRN 3267

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