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Ela parte para o ataque!

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.

Celma de Sousa diz que ameaças das ruas motivam prática de artes marciais: “Vivemos em um mundo violento”

Mas há quem esteja fora da lista de idosos que engrossam a lista de vítimas e, literalmente, parta para o ataque contra males de saúde e está prevenido, até mesmo, para eventuais agressões físicas.

Pronta para o que vier. Assim a professora aposentada Celma de Sousa, de 65 anos, se sente após dois anos de kung fu. Ela admite. As ameaças das ruas motivam, sim, à prática de artes marciais. “Vivemos em um mundo violento. Claro que aprendemos a não atacar ninguém. Até hoje, graças a Deus, nada me aconteceu. Mas estou sempre atenta”, diz.

Apesar da proteção contra eventuais agressões, a prática da arte marcial, para ela, também previne outros tipos de violência. Muitos crimes cometidos contra idosos ocorrem, justamente, pela fragilidade demonstrada por algumas pessoas depois de certa idade. Além dessa característica, a lentidão em reflexo e até de raciocínio é chamariz para aproveitadores.

Não é o caso da lutadora. “O kung fu me trouxe muitas melhoras. Caminho longas distâncias e não me canso. Tenho medo de doenças, principalmente Alzheimer. A concentração adquirida também melhora a mente, principalmente a memorização. Respiro e falo melhor”, testemunha ela, que, além dos benefícios próprios, incentiva a prática do esporte entre os netos.

Usuária de marcapasso, ela não vê isso como barreira para os treinamentos, que começam às sete horas da manhã. “Antes eu era molenga. Apenas com três meses de treinos comecei a notar a diferença”, observa. Para ela, o fato de nunca ter sido vítima também é resultado da postura de lutadora. “Muita gente percebe. Já até perguntaram se eu treino”, recorda.

Qualidade de vida

Defesa pessoal é importante, contudo, qualidade de vida não se restringe a estar apto a evitar agressões. Essa é a visão do técnico em telefonia aposentado Vicente Ferreira, de 62 anos. Lutador de kung fu e aikidô, ele também pratica tai chi chuan, arte marcial chinesa que prima pela meditação.

A intenção de defesa, elenca Vicente, não está em primeiro plano. “Acredito que não apenas o idoso, mas todos estão sujeitos à violência, é algo generalizado”, acredita. “Contudo, os problemas são mais comuns em quem se volta a eles”, filosofa. “Tanto é que, não raro, assistimos a casos de lutadores mortos em assaltos”, observa o aposentado.

Buscar a saúde e qualidade de vida deve ser, na visão dele, a principal meta de praticante de artes marciais ou de qualquer outro esporte. Para ele, nesta filosofia de melhorar a saúde e, nesta esteira, estar mais preparado também para os dissabores do mundo moderno, a terceira idade já demonstra mais aptidão. “Foi-se o tempo do pijamão listrado”, descontrai.

Por outro lado, Vicente admite que alguns idosos ainda estão mais vulneráveis à criminalidade. “Tem gente que ainda não tem a malícia e confia demais nas pessoas. Acaba traído por ingenuidade”, atribui o técnico de telefonia aposentado.

Negligência lidera

No Brasil, a principal forma de violação aos direitos assegurados pelo Estatuto do Idoso é a negligência. Indicadores da Secretaria dos Direitos Humanos do governo federal dão conta de que, ano passado, o aumento desse tipo de violência foi de 68,7% em comparação a 2011. Violência psicológica cresceu 59,3% e o abuso financeiro teve aumento em 40,1% das denúncias.


Soco e morte

Em Bauru, nesta semana, uma costureira de 61 anos afirma ter sido agredida, com um soco na face, desferido pela ex-cunhada. De acordo com ela, que registrou boletim de ocorrência no Plantão da Polícia Civil, o fato teria ocorrido dentro de um ônibus, na quarta-feira. A vítima não se feriu gravemente.

Diferentemente do ocorrido com Carmem Gomes Haase, de 76 anos. Em fevereiro, a moradora do Parque União, que vivia sozinha, foi assassinada. O principal suspeito do crime é o próprio filho, Paulo César Gomes Haase,  de 51 anos, que teria espancado a própria mãe. Na ocasião, o suspeito teve a prisão temporária decretada pela Justiça.

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