João Rosan |
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O corpo de Aline Pires de Souza foi sepultado no Cemitério Jardim do Ipê, ontem à tarde |
Bauru contabilizou, anteontem, mais uma morte de paciente do Pronto-Socorro Central (PSC), que esperava por vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Aline Pires de Souza, 20 anos, possuía paralisia cerebral e era cadeirante. Estado e município divergem sobre a solicitação dos leitos. Segundo a família, a vaga para o Hospital Estadual foi solicitada três vezes. Esse é o terceiro caso em nove dias.
A prima de Aline, a empresária Karina Fernanda Rossi, 33 anos, explicou à reportagem que Aline deu entrada no PSC na última quinta-feira, dia 6 de junho, apresentando vômitos. “Ela começou a ser medicada, mas piorou. Então permaneceu internada. Como ela começou a ter tosse e o quadro não melhorava, pedimos vaga para ela no Hospital Estadual, através da Defensoria Pública. Foram três pedidos, no total, mas não havia vaga. A minha prima morreu ontem (anteontem), entubada, no Pronto-Socorro Central. Isso é um absurdo, principalmente sabendo que se trata de uma portadora de necessidades especiais”, disse.
O laudo emitido pelo setor de necropsia aponta diversas causas para a morte de Aline: hipóxia, choque séptico, broncopneumonia e paralisia cerebral. O diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE), Luiz Antônio Bertozo Sabbag, reiterou a afirmação da família: os três pedidos foram mesmo feitos.
“No dia 7 houve um pedido e no dia 11 outro. Esses primeiros eram para leito comum no do Hospital Estadual (HE) porque o caso ainda não era de UTI. Como ela piorou, ontem (anteontem) nós pedimos a vaga na UTI pela Central de Regulação da Oferta de Serviços de Saúde (Cross), mas não houve tempo, ela faleceu”, explicou.
Divergência
No entanto, informações da família e do município divergem da versão da Secretaria de Estado da Saúde, que garante, em nota, que a vaga foi solicitada apenas anteontem, pouco antes da morte da paciente.
“A Central da Regulação da Oferta de Serviços de Saúde esclarece que recebeu somente na manhã desta quinta-feira, do PS Central de Bauru, unidade vinculada à prefeitura, pedido para transferência da paciente em questão para um leito de UTI. Imediatamente foi iniciada a busca de uma vaga, mas a paciente faleceu horas depois, com quadro de broncopneumonia. Esclarecimentos sobre o motivo pelo qual o PS fez o pedido de transferência apenas ontem devem ser obtidas junto à Secretaria Municipal de Saúde. Não houve nenhum pedido da Defensoria Pública ao Estado”.
Aline Pires de Souza, 20 anos, foi velada até as 15h de ontem no Centro Velatório São Vicente e em seguida seria sepultada no Cemitério Jardim do Ipê. A prima da jovem afirmou que a família entrará com ação na Justiça.
H1N1?
Segundo Luiz Antônio Bertozo Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE), Aline Pires chegou a ser medicada com Tamiflu, já que apresentou uma síndrome gripal. “É o procedimento quando o paciente apresenta síndrome gripal. Medicamos com Tamiflu, preventivamente. Foram colhidos exames dela para saber se se trata de um caso de H1N1, mas o resultado só sai em cerca de 10 dias. Não estamos tratando como suspeita”, disse.
Casos
No dia 6 de junho, o JC noticiou a morte de Gisele Valdenice Viana, 22 anos, com insuficiência renal. A operadora de caixa passou mal no dia 27 de maio e procurou o Pronto-Socorro Central dois dias depois. Lá, segundo a família, médicos teriam dito que a jovem estava grávida, o que também foi negado pelas duas secretarias.
Um leito de UTI foi disponibilizado em Promissão, mas, devido à gravidade do quadro da paciente, os médicos não recomendaram a viagem, de 120 quilômetros. A vaga no Hospital Estadual só foi obtida por meio de mandado judicial no dia 31 de maio, no entanto a jovem não resistiu e faleceu no dia 5 de junho, às 20h.
Alexandro de Jesus Nogueira é mais uma vítima da fragilidade da saúde pública. O paciente morreu anteontem, no Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru, à espera de transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Nogueira deu entrada no PSC com pneumonia, em estado grave. O paciente já possuía uma sequela de traumatismo cranioencefálico e apresentava um quadro de insuficiência respiratória. Enquanto ficou aguardando um leito por dois dias, o paciente estava entubado.
