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Erosão ameaça segurança de creche na Vila Pacífico

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

 Despejo de esgoto ocorre a poucos metros da instituição

Uma situação tem tirado o sossego de funcionários e pais de crianças matriculadas na Creche Rainha da Paz, localizada na região da Vila Pacífico, zona noroeste de Bauru. Conveniada com a prefeitura e atendendo 130 crianças de 2 a 5 anos e 11 meses, a instituição vem sofrendo com inundações constantes e com a ameaça causada por uma cratera, situada a menos de dois metros da sala de aula no terreno da creche.

A erosão, conforme a instituição, teria começado após uma obra para mudança no percurso das águas pluviais do bairro, feita há alguns anos pela prefeitura.

A denúncia motivou, inclusive, um discurso do vereador Fabiano Mariano (PDT) na sessão da Câmara Municipal, na última segunda-feira, que interveio junto à creche para mostrar o problema aos demais legisladores.

Transtornos

De acordo com a diretora da unidade, Celenita de Oliveira Coelho, as situações têm provocado problemas na creche, já que em dias de chuvas fortes, como das últimas semanas, as crianças e funcionários acabam tendo que evacuar o prédio às pressas.

“Quando chove, algumas mães nem mandam mais seus filhos para cá. Outras sempre ligam para perguntar se está inundado ou não. É uma situação desesperadora ver a água e a lama invadindo tudo e chegando até o joelho”, aponta Celenita, reclamando que a água da chuva deveria ter sido canalizada para uma tubulação existente próxima da linha férrea ao longo das obras.

Ainda segundo ela, o problema persistiria no dia seguinte à inundação, já que a unidade necessita realizar a limpeza e desinfecção de todos os ambientes atingidos pela água.

Outro lado

Sobre a erosão, a Secretaria Municipal de Obras informou que um novo estudo está sendo feito para desviar a galeria do terreno da creche.

Com relação à inundação, a pasta afirma que a situação ocorreria por conta do nível do prédio da instituição, que estaria situado abaixo do nível da rua. “As ruas Halim Haidar e Silvio Luiz da Costa estão dentro do nível correto”, informa a secretaria, por meio de nota.


Denúncia

Conforme explica José Luiz Prata, do departamento administrativo da creche, a erosão em questão também estaria impossibilitando até mesmo a ampliação da creche. “Já tivemos várias oportunidades para construir novas salas e uma quadra poliesportiva, mas não foi possível devido à tubulação estar no terreno e a erosão inviabilizar a construção de qualquer tipo de alicerce”, aponta.

Para ele, a inundação da unidade seria causada por um provável erro de projeto no cruzamento das ruas Halim Aidar com a Silvio Luiz da Costa, que ficou a um nível superior ao da quadra três da Halim Aidar, onde a creche está situada.

“Foram inúmeras as solicitações feitas ao poder público, mas nem o problema da erosão e nem da inundação foram resolvidos até hoje”, critica Prata.


Cratera

A situação provocada pela chuva é reforçada pela coordenadora da instituição, Ana Maria Cremonesi, que acrescenta ainda os transtornos causados pela erosão atrás da creche nos dias secos.

“Não podemos mais abrir as janelas. O cheiro de esgoto é forte e atrai insetos e animais peçonhentos. Aranhas, escorpiões, ratos e baratas por aqui são comuns. Até gambá já entrou na creche. Também tememos pela água parada, muitas crianças já tiveram dengue aqui”, afirma a coordenadora. “A cada chuva o buraco aumenta mais, logo poderá comprometer a parede da sala onde ficam as crianças”, completa a diretora, em tom de preocupação.

Ainda de acordo com a direção, o local seria frequentado por usuários de drogas, que sob efeito dos entorpecentes invadiriam a unidade para praticar furtos. “Toda semana entra gente aqui à noite”, alerta Celenita.

Conforme a reportagem apurou no local na manhã de ontem, a cratera possui aproximadamente dez metros de extensão por quatro metros de largura e de profundidade e, de fato, acumula uma espécie de lagoa de esgoto, além de lixo, entulho, móveis e até animais mortos.

“É um problema que se arrasta há alguns anos. Além do risco que a situação representa às crianças, tem o dano material à creche e um grande problema de saúde pública. Esperamos que a prefeitura resolva logo”, comenta o vereador Fabiano Mariano, que também esteve no local ontem.

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