O rebelde Exército Livre Sírio (ELS) elogiou ontem a decisão dos Estados Unidos de conceder ajuda militar aos insurgentes e disse que, embora o auxílio tenha chegado tarde, significará o início de uma nova fase na luta para derrubar o regime.
Ontem o Congresso dos EUA foi notificado de que o regime de Bashar al Assad usou armas químicas, em pequenas quantidades, diversas vezes durante a guerra civil que trava com rebeldes.
O subconselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, afirmou que, após essa confirmação, os EUA ampliarão o apoio dado aos insurgentes.
O porta-voz do Comando Conjunto do ELS, Fahd Al-Masri, disse que, com a medida, “erros” passados dos EUA em relação aos rebeldes foram corrigidos e se abre “uma nova etapa no conflito sírio”.
“Os Estados Unidos tomaram a decisão de armar os rebeldes depois que várias forças estrangeiras começaram a interferir na Síria”, disse o porta-voz, que denunciou o apoio ao regime de Damasco do Irã, do grupo xiita libanês Hezbollah, de combatentes xiitas iraquianos e da Rússia.
A medida também foi adotada, segundo Masri, depois que “o regime ultrapassou as linhas vermelhas”, disse em alusão ao uso de armas químicas confirmado ontem por Washington.
Embora os EUA não tenham especificado o volume da ajuda militar, o porta-voz rebelde estimou que suas forças receberão armamento antiaéreo e contra veículos blindados.
Masri afirmou ainda que as armas não cairão em mãos de extremistas, uma das principais preocupações da comunidade internacional
Na opinião de Masri, com este passo dos EUA começa “a contagem regressiva para o fim do regime” do presidente sírio, Bashar al Assad.
Rússia reage
A Rússia disse ontem não serem “convincentes” as evidências, reveladas pelos EUA, de que a Síria usou armas químicas contra rebeldes.
Diante das provas que diz ter, o governo americano já anunciou que “aumentará o volume e o alcance da assistência” à oposição síria.
Uma zona de exclusão aérea estaria sendo considerada para proteger os campos de treinamento dos rebeldes sírios, segundo fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters.
“Eu não gostaria de fazer comparações com as conhecidas investigações pelo (então) secretário de Estado (americano Colin) Powell, mas as informações e fatos apresentados não parecem convincentes”, disse Yuri Ushakov, assessor de política externa do presidente russo, Vladimir Putin, sugerindo paralelo com as “provas” sobre armas de destruição em massa apresentadas pelos EUA antes da invasão ao Iraque, em 2003.
Moscou é o maior aliado do regime sírio hoje, fornecendo armas e mantendo uma base naval no país.
As declarações se dão três dias antes da cúpula do G8, na Irlanda, onde Putin e o presidente Barack Obama vão se reunir. O americano deve usar a cúpula, na próxima semana, para conseguir apoio antes de anunciar qualquer decisão sobre uma possível zona de exclusão aérea - como a usada na Líbia em 2011.