Murad Sezer/Reuters |
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Jovem com máscara de Guy Fawkes descansa em veículo tombado no parque Gezi Park |
Horas depois de o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, ordenar ontem que os manifestantes instalados no parque Gezi desocupassem a área, a tropa de choque invadiu o local.
Para expulsar as pessoas, a polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água.
Macas e outros aparatos de auxílio médico estavam posicionados nos arredores para receber possíveis feridos.
Durante a ação, moradores locais apoiaram os manifestantes. Nos prédios, muita gente bateu panelas e frigideiras enquanto, nas ruas, motoristas faziam muito barulho com buzinas.
A ação veio logo depois de um ultimado dado por Erdogan num discurso na capital do país, Ancara.
O primeiro ministro afirmou: “se a praça Taksim não for esvaziada, as forças de segurança deste país saberão como fazê-lo. Ninguém pode nos intimidar. Não tomamos nenhuma ordem ou instrução de ninguém, apenas de Deus”.
Pouco antes, os manifestantes turcos haviam dito que não deixariam o parque de Istambul, apesar do pedido do presidente para que eles se retirem de local e a promessa do primeiro-ministro, Tayyip Erdogan, de realizar uma votação sobre os planos de revitalização da região.
Sindicatos anunciam greve
Um dos principais sindicatos de funcionários públicos da Turquia anunciou que convocará uma greve geral para amanhã depois que a tropa de choque da polícia entrou em um parque de Istambul. “Já tínhamos tomado a decisão de entrar em greve se houvesse uma intervenção no parque.
Então vamos declarar uma greve para segunda-feira”, disse Mustafa Turgut, porta-voz do Sindicato de trabalhadores Públicos (Kesk), que conta com 240 mil membros de 11 sindicatos.
Um outro sindicato, a Confederação de Sindicatos Revolucionários (Disk), fazia uma reunião de emergência para decidir se também entrará em greve, disse um representante à Reuters.
(Reportagem de Evrim Ergin)
Centenas de manifestantes, acampados por mais de duas semanas em barracas no Parque Gezi, localizado ao lado da Praça Taksim, afirmaram que manterão suas campanhas depois de o governo não ter cumprido a exigência de soltar os manifestantes detidos.
A resposta violenta da polícia a manifestantes pacíficos no parque, há duas semanas, provocou uma onda de protestos sem precedentes contra Erdogan e o Partido AK, legenda de centristas e religiosos conservadores. As manifestações reuniram nacionalistas, profissionais, sindicalistas e estudantes.
Os conflitos, que tiveram ações da polícia com gás lacrimogêneo e canhões de água contra os manifestantes, que atiravam pedras, ocorreram durante várias noites em Istambul e Ancara, deixando um saldo de quatro mortos e 5 mil feridos, de acordo com a Associação Médica Turca.
“O governo ignorou as claras e legítimas exigências desde o começo da resistência. Eles tentaram dividir, provocar e danificar nossa legitimidade”, informou em comunicado a Solidariedade Taksim, um grupo que representa os manifestantes.
O grupo, cujos representantes se encontraram com Erdogan em sua residência oficial em Ancara na noite de quinta-feira, informou que não teve sinais sérios de progresso nas punições aos responsáveis pela repressão policial, nem na investigação das quatro mortes, uma delas de um próprio policial, durante os conflitos.
“Continuamos guardando o parque”, afirmou Mucella Yapici, uma porta-voz do grupo, quando perguntada se os manifestantes consideravam se retirar do local.
Erdogan disse aos manifestantes na reunião de quinta-feira que iria adiar os planos de construir uma réplica de quartéis otomanos no parque até que um tribunal julgue o processo, numa postura mais moderada do que a de duas semanas atrás, quando criticou os manifestantes e afirmou que o projeto seguiria adiante de qualquer forma.
