Aceituno Jr.
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Padre Gilson Maia é o coordenador espiritual da paróquia Nossa Senhora das Graças, onde Rafael Crepaldi integra o grupo de jovens |
O católico Rafael Crepaldi estará muito próximo do Papa Francisco durante um momento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a ser promovida em julho próximo no Rio de Janeiro. O bauruense integrará um grupo formado por jovens brasileiros e de todo mundo escolhido para estar no palco ao lado do pontífice durante uma vigília de oração e confraternização, no dia 27 de julho. A 28º Jornada Mundial da Juventude será realizada de 23 a 28 de julho com o lema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19). Só no Brasil são mais de 300 dioceses.
A estimativa inicial é de que cerca de 3 milhões de pessoas participem da Jornada no Rio. Conforme balanço fechado ontem pelo Setor Jovem da Diocese, de Bauru e região devem ir à Jornada 790 peregrinos e mais 35 voluntários.
Essa fase do jovem participativo começou em 2011, no “Bote Fé na Juventude Bauru”, relembra Rafael Crepaldi, coordenador da Comunidade de Jovens Rogacionistas, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Bauru. A escolha de Rafael atendeu a uma série de requisitos, conforme conta o padre Wellington Supriano, assessor do Setor Jovem da Diocese de Bauru e pároco da Paróquia de Santa Luzia de Duartina. Aos 26 anos, o advogado Rafael Crepaldi atendeu ao requisito de conhecer a realidade da Diocese, e demonstrar a representatividade jovem, ser bilíngue e ter entre 14 a 29 anos.
Rafael comenta que os jovens reivindicam espaço de participação na Igreja Católica e são atendidos no ritmo de uma instituição religiosa milenar que passa por um período de profundas mudanças, como o da eleição de um cardeal da América Latina para a mais prestigiada posição da Igreja Católica. O ápice dessa nova fase será testado no encontro do Papa Francisco com os milhões de peregrinos que vão à JMJ.
A Igreja Católica aproveitou o ano para direcionar seu olhar especialmente ao jovem. Não sem um foco bastante claro definido com o tema da Campanha da Fraternidade 2013 (CF): com a temática “Fraternidade e Juventude” e o lema “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8). A CF pretende evangelizar os jovens, principalmente através do testemunho de outros jovens, fomentar a criação de grupos juvenis, engajá-los na comunidade eclesial e dar mais voz a eles, além de reforçar a opção preferencial pelo jovem excluído, vítima da violência ou dos vícios.
O padre Gilson Luiz Maia, Nossa Senhora das Graças, tem consciência de que para evangelizar o jovem é preciso utilizar vários recursos. “É a Igreja que vem ao encontro dos jovens para apresentar a eles a mensagem do evangelho”, pontua.
Recentemente, padre Gilson esteve no Vaticano coordenando um grupo de peregrinos numa visita à Praça de São Pedro. O padre conta que exala uma energia muito boa da praça tomada pelos visitantes.
O carisma do Papa Francisco levou quase 200 mil fiéis para acompanhar a missa de Pentecostes, no domingo, 19 de maio. Neste dia reuniu-se na Praça de São Pedro membros de movimentos religiosos concentrados há dias para um encontro organizado pelo novo “ministério” para a “Nova Evangelização”. A ação evangelizadora é uma palavra que está muito presente nos discursos. Padre Gilson comenta que o Papa quer pastores com cheiro de ovelha. “Parafraseando o Papa Francisco, a Igreja será jovem quando o jovem for Igreja”, define o padre Gilson.
Antes da jornada
A Diocese de Bauru está em uma fase importante comemorando seu Jubileu de Ouro. A participação do jovem integra esse cenário rumo à Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Há uma intensa mobilização para ajudar nas despesas dos peregrinos rumo à Jornada no Rio com rifas, pasteladas, sorteios, bombons, bolos, sonhos, trufas no final das missas, camisetas, desfiles, bazar como forma de arrecadar fundos. No mês que antecede a JMJ há uma série de eventos com foco no jovem e sua família e preparatório para a peregrinação. No primeiro sábado deste mês (dia 8) a Paróquia Nossa Senhora das Graças recepcionou jovens e seus familiares para a 1ª Vigília Diocesana. Ainda estão programadas atividades como a Formação para Voluntários e Formação para Missão, ainda neste mês.
Passado as festas juninas, julho terá o Forró do Setor Juventude, no dia 6 de julho no Salão de festas da Paróquia Santo Antônio, a partir das 21h. O som será com grupo Forrozeiros de Bauru.
Rafael Crepaldi lembra que, antes da JMJ, todos os jovens que irão ao encontro no Rio de Janeiro, estão convidados para a Semana Missionária, de 16 a 20 de julho. Ele comenta que está previsto intervenções no Mary Dotta. Um palco será montado, no dia 16, na frente da Catedral do Divino Espírito Santo, com shows de evangelização e palestras, a partir das 19h. Também estão programadas ações sociais em entidades assistenciais da cidade.
Vigília do pontífice
Entre o ritual da vigília serão narradas histórias momento em que voluntários “construirão” uma igreja no palco, que depois será desmontada e terá as partes carregadas no meio da multidão. Esta é uma das cenas da abertura da vigília que será no espaço denominado Campus Fidei (Campo da Fé), em Guaratiba (zona oeste do Rio), na véspera do encerramento da Jornada.
O palco em que Rafael e os jovens estarão junto com o santo Papa terá, além da igreja cenográfica de 8 metros de altura por 10 de comprimento, uma cruz de 33 metros. Colunas com as palavras “amizade”, “amor” e “união” também comporão o cenário. Francisco ficará numa cadeira no fundo do palco, onde chegará depois de cruzar o Campus Fidei de papamóvel, num trajeto iluminado por 5 mil lanternas de papel.
“A ideia é firmar o compromisso com o tema da Jornada, ‘Ide e fazei discípulos entre todas as nações’. Quando você conta para alguém a sua história de encontro espiritual, você está evangelizando. Essas histórias serão intercaladas com a construção de uma igreja. Quero dizer que o jovem vai reconstruir a Igreja. Depois, um grupo enorme de pessoas caminha com todas as partes da igreja pelo Campus Fidei, mostrando que ela será montada em outro lugar”, descreve o diretor de teatro e televisão Ulysses Cruz, contratado pela organização da Jornada para montar a abertura da vigília e a via-sacra, que será encenada em 26 de julho, na Praia de Copacabana.
O que é a Jornada Mundial
A Jornada começou com um encontro promovido pelo Papa João Paulo II em 1984. A Jornada Mundial da Juventude (JMJ), como foi denominada a partir de 1985, faz com que a Igreja foque no jovem sua atenção.
A Jornada Mundial da Juventude, que se realiza anualmente nas dioceses de todo o mundo, prevê a cada 2 ou 3 anos um encontro internacional dos jovens com o Papa, que dura aproximadamente uma semana. A última edição internacional da JMJ foi realizada em agosto de 2011, na cidade de Madri, na Espanha, e reuniu mais de 190 países.
As JMJs tem sua origem em grandes encontros com os jovens celebrados pelo Papa João Paulo II em Roma. O Encontro Internacional da Juventude, por ocasião do Ano Santo da Redenção aconteceu em 1984, na Praça São Pedro, no Vaticano. Foi lá que o Papa entregou aos jovens a Cruz que se tornaria um dos principais símbolos da JMJ, conhecida como a Cruz da Jornada.
O ano seguinte, 1985, foi declarado Ano Internacional da Juventude pelas Nações Unidas. Em março houve outro encontro internacional de jovens no Vaticano e no mesmo ano o Papa anunciou a instituição da Jornada Mundial da Juventude.
A primeira JMJ foi diocesana, em Roma, no ano de 1986. Seguiram-se os encontros mundiais: em Buenos Aires (Argentina – 1987) - com a participação de 1 milhão de jovens, assim por diante, em demais localidades.