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Entrevista da semana: Irmã Susana de Jesus Fadel


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Em 2011, aos 37 anos de idade, ela se tornou a reitora mais nova da história da Universidade Sagrado Coração (USC). Hoje, a irmã Susana de Jesus Fadel revela ao JC as suas principais passagens pessoais e profissionais. Foi com um sorriso delicado e gentil de menina que a irmã recebeu o JC para falar sobre infância, vocação religiosa, trabalho e vida no Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus (IASCJ) – instituição que existe há 119 anos no mundo e há 113 anos no Brasil -, além de educação. “A educação nasce de uma missão, no sentido de promover o ser humano”, acredita.

A menina nascida na zona rural de Goioerê/Paraná cresceu em uma família tradicional e com fortes valores religiosos: “Tenho uma tia que pertence a mesma congregação que eu e, quando ela visitava a família, eu ficava olhando para ela. Eu a achava especial e ficava pensando sobre o que ela tinha de diferente. “Entrei para a vida religiosa aos 15 anos”, lembra.

Sobre o desafio de estar à frente da reitoria de uma universidade, a irmã diz supera-lo com a capacitação divina e a dedicação da equipe da USC. “É um trabalho em equipe, participativo. E isso me dá a tranquilidade de saber que fazemos o melhor e de que podemos crescer muito”. Confira estas e outras declarações, a seguir.

   

Jornal da Cidade – Por que a vida religiosa?

Irmã Susana de Jesus Fadel – Eu acredito que a minha vocação nasceu da experiência familiar. Venho de uma família tradicional, católica e que valoriza muito a religião. Além disso, tenho uma tia que é religiosa, que hoje está na Itália, e que é da mesma congregação que eu. Eu senti esse chamado vocacional quando minha tia ia para casa passar as férias com a família. O jeito dela chamava a minha atenção, eu a achava especial. O que ela tem de diferente? Era o que eu pensava quando criança. Mas eu pulei essa ideia no início da minha adolescência. Entretanto, quando terminei o ensino fundamental, eu fui convidada a entrar e aceitei o convite para ter certeza se aquilo era realmente o que eu queria. Entrei aos 15 anos. Nesta fase, temos muitos sonhos e projetos, mas precisamos passar por muitas etapas para discernir se é isso mesmo.

 

JC – Como foi a sua infância no interior do Paraná?

Irmã Fadel – Nasci em uma cidade pequena do Paraná, na zona rural para ser mais exata. Meus pais se casaram muito jovens, ela com 16 anos e ele com 19 anos. O objetivo daquela época era casar e continuar o trabalho dos pais. Meus avós tinham uma fazenda de café, meus pais se casaram e continuaram na plantação, assim como os irmãos. Entretanto, quando eu tinha 3 anos de idade, meu pai e minha mãe decidiram vir para São Paulo em busca do sonho urbano. Eles contam que houve uma geada muito grande, em 1975, e eles perderam toda a plantação. Meu pai não quis ficar mais lá, mesmo contrariando os meus avós. Ele foi uma espécie de peregrino, como muitos outros moradores da zona rural. Nossa próxima morada foi a cidade Jundiaí, onde ficamos por quase 30 anos e meu pai buscou trabalho na indústria. Nesse período a família cresceu e eu ganhei um irmão, Edenilson, que hoje tem 30 anos e é casado com a Renata.

 

JC – Quais foram os momentos que mais marcaram a sua vida religiosa?

Irmã Fadel – Acho que o momento mais forte foi a saída de casa, quando escolhi deixar a família e amigos para viver outra vida. Essa renúncia, que exige escolha, é muito forte. Depois vem a primeira profissão, onde professamos os votos religiosos e nos consagramos na Igreja. E, no final, tem o processo de discernimento da caminhada, quando nós fazemos os votos perpétuos. Os primeiros votos são renovados de ano em ano, os perpétuos fazem parte da entrega total.

 

JC – A adaptação foi fácil?

Irmã Fadel – Fui me identificando com os diversos trabalhos da congregação ao longo dos anos: educação, saúde, promoção humana e social, formação, espiritualidade, pastoral, missões fora do País... Nós temos uma vida itinerante. Já morei em algumas cidades como Curitiba, Bento Gonçalves, Marília, entre outras. Nunca vivi em outro país, mas já viajei a trabalho e para cursos em Taiwan, Tailândia, Canadá, Argentina, Portugal...

 

JC – Como a senhora analisa a vocação religiosa, hoje?

Irmã Fadel – Eu penso que a escolha para a vida religiosa diminuiu. Não sabemos o porquê, mas talvez isso tenha relação com a mudança das formas de comportamento social. Hoje os jovens crescem com muitas opções e os valores sociais também mudaram. Mas não vemos isso somente na religião, até o casamento mudou. O compromisso definitivo assusta as pessoas, parece que o “para sempre” passa insegurança. Então a sociedade mudou. O pensamento mudou. Mas ainda há muitas pessoas que sentem e aceitam o chamado religioso. Esta é uma vivência pessoal difícil de explicar, mas eu digo para as pessoas que sentem esse chamado que silenciem, que ouçam a voz, que tenham coragem de ouvir o seu próprio coração, porque acertar na escolha é acertar na felicidade para a vida inteira. Deus nos quer felizes, ele nos fez para a alegria, isso não significa não ter problemas ou sofrimento, mas sim viver intensamente.

 

JC – Imagino que o caminho foi longo até a senhora chegar à reitoria da USC.

Irmã Fadel – Foi um longo caminho de preparação, de formação, de estudo... E a congregação investiu em mim no sentido pessoal de formação religiosa e profissional também. Fiz pedagogia em 1996, aqui na USC, quando cheguei. Depois fiz mestrado, doutorado...

 

JC – A senhora ainda não tem 40 anos de idade e já é reitora de uma grande universidade. Qual é o peso de tal responsabilidade?

Irmã Fadel – No primeiro momento é um desafio enorme porque a universidade é um mundo complexo com diversas áreas e diversas experiências. Mas quando eu penso nisso, eu não penso apenas nas minhas condições. Primeiro eu penso em Deus, que nos capacita, nos dá criatividade e condições de caminhar e na equipe que a USC tem. Todas essas pessoas, cada uma com a sua competência, nas mais diversas áreas, me ajudam no gerenciamento da instituição. Então fica muito mais fácil. É um trabalho em equipe, participativo. E isso me dá a tranquilidade de saber que fazemos o melhor e de que podemos crescer muito.   

 

JC – Como a senhora avalia os rumos da educação brasileira?

Irmã Fadel – Eu acredito que nós tivemos ganhos e muitas iniciativas positivas, tanto na rede pública quanto na privada, mas ainda temos que crescer e avançar muito, principalmente no sentido de olhar quais são os focos principais de renovação e fortalecimento, como olhar para os professores com carinho, por exemplo. Hoje a política brasileira não valoriza o trabalho, embora haja tentativa de formação dos professores. Esse é um dos pontos mais frágeis da educação brasileira. O País ainda tem uma caminhada longa.  

 

JC – Fale sobre a religião e a educação caminhando juntas.

Irmã Fadel – Para nós, a educação nasce de uma missão, no sentido de promover o ser humano. Não com segmentação ou facetas, mas de maneira integral, porque o humano não é só corpo e intelecto, há também a parte espiritual. Não é no sentido de crença religiosa, mas de que o ser humano precisa ser formado como um todo. Sendo assim, para nós, há uma ligação muito forte entre educação e os valores do evangelho, que dignificam a pessoa com o amor à vida, a honestidade e a questão de ser competente sem derrubar o outro. Antes de tudo, o mundo precisa de pessoas, profissionais, porém, pessoas que respeitem o ser humano, e isso está ligado a busca de Deus, também.  

 

JC – Sobre o hobby. Então a senhora canta?

Irmã Fadel – (Risos) Eu canto um pouco. Já cantei mais. Temos missa todas as manhãs na USC e revezamos em três irmãs. Às vezes também cantamos e tocamos violão em paróquias que precisem, como o Santuário e a Santa Rita, por exemplo.

 

Perfil

Nome: Susana de Jesus Fadel

 

Idade: 39 anos

 

Cidade: Goioerê/Paraná

 

Signo: Libra

 

Hobby: Cantar e tocar violão

 

Livro de cabeceira: Bíblia

 

Filme preferido: “Os Miseráveis”

 

Estilo musical predileto: MPB

 

Time: Corinthians 

 

Para quem dá nota 10: Para as pessoas que têm coragem de sempre recomeçar 

 

Para quem dá nota 0: Para aqueles que não têm coragem de dizer a verdade 

 

E-mail: isfadel@usc.br 

 

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