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Idosos sonham com a felicidade e reclamam do desrespeito dos mais jovens, diz pesquisa

Por Renata Giraldi | ABr
| Tempo de leitura: 5 min

Os brasileiros, com mais de 60 anos, sonham em viver ao lado de companheiros que saibam compartilhar bons e maus momentos. Mas reclamam do mau humor, do egoísmo, da frieza e desrespeito com que são tratados. No Brasil, há aproximadamente 22,3 milhões de idosos, dos quais 15,5 milhões são homens e mulheres que chefiam suas famílias e fazem planos para o futuro. A conclusão está na pesquisa Idosos no Brasil, do Instituto DataPopular, entidade de consultoria.

J. Duran Machfee/Estadão Conteúdo

No País, há aproximadamente 22,3 milhões de idosos, dos quais 15,5 milhões che? am suas famílias

O diretor do Instituto DataPopular, Renato Meirelles, fez o levantamento de dados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e entrevistas nas principais cidades das cinco regiões do país, de outubro a dezembro de 2012. Segundo o pesquisador, 64% dos entrevistados reclamaram do mau humor, 55% do egoísmo, 46% do desrespeito e 25% da frieza.

“São pessoas que buscam o companheirismo e, não o suporte. São pessoas que querem companhia e não gostam de ficar sozinhas, mas reclamam também da forma como são tratadas”, disse à Agência Brasil.

Apesar de ainda não estar na faixa acima dos 60 anos, a aposentada Cleuza Maia dos Santos, de 56 anos, que mora em Planaltina de Goiás, resume nas suas observações o que a pesquisa concluiu. “As pessoas não têm mais paciência para andar com os idosos. Vejo muitos andando sozinhos por aí. Eu mesma tenho seis filhos e quando preciso de um para acompanhar não encontro. Estão todos ocupados. Já vi alguns idosos serem agredidos com palavras e com gestos”, contou.

A maioria dos idosos vive com alguém da família. Do total, cerca de 2,7 milhões dos homens e mulheres, com mais de 60 anos, moram sozinhos. Dos solitários, 1,8 milhão é formado por mulheres, enquanto 938 mil são homens. “O mais interessante da pesquisa foi verificar que essas pessoas continuam com esperança no futuro em serem felizes ou, como em alguns casos, em voltar a ser feliz”, ressaltou Meirelles. 

A pesquisa destacou também o perfil por gênero dos idosos. Do total de brasileiros, com mais de 60 anos, 55% são mulheres. Elas também são maioria em todas as faixas etárias – de 60 a mais de 100 anos. Nas faixas de 90 a 99 anos, 61,85% são mulheres, e acima de 100 anos, elas são 75%. “De uma forma geral, todos eles reclamam de um mesmo aspecto: o egoísmo das pessoas”, disse Meirelles.

O aposentado Manoel Lopes, de 61 anos, separado, também reclama da forma como os mais jovens tratam os idosos. “Acham que porque a pessoa está na terceira idade não vale mais nada, estão inativas. Fazem pouco caso dos idosos”, disse.

Busca de novo amor está entre suas expectativas

A vida afetiva e a crença na felicidade estão presentes nas expectativas dos homens e mulheres acima dos 60 anos, segundo a pesquisa Idosos no Brasil, do Instituto DataPopular. “A procura por um novo amor é mencionada pela grande maioria dos entrevistados”, disse o diretor do instituto, Renato Meirelles

A aposentada Cleuza Maia dos Santos, de 56 anos, separada, disse que não pretende mais se casar. Mas reconheceu que pensa em encontrar um namorado para ter um relacionamento.  Para ela, o novo amor deve ser amigo e companheiro.

“Estou separada. Mas se eu encontrasse um velho bacana eu toparia um relacionamento. Mas eu não quero mais casar. Quero alguém para bater papo, sair e me divertir. Alguém que me faça companhia em todos os momentos. Quero uma bela amizade”, disse Cleuza Santos.

Também separado, o marceneiro aposentado Manoel Lopes, de 61 anos, disse que não quer se envolver emocionalmente, mas admitiu que é ruim ficar sozinho. “Por enquanto, eu não pretendo me envolver emocionalmente. Mas se eu achasse alguém da minha idade, que me quisesse, tentaria um relacionamento”, disse. “É muito ruim a pessoa ficar sozinha, a gente sente falta do companheirismo. Depois que a gente passa dos 60 anos, tudo fica mais difícil.”

Meirelles disse que na pesquisa Idosos no Brasil, do Instituto DataPopular, houve reclamações específicas sobre quatro aspectos: mau humor, egoísmo, frieza e desrespeito. Segundo o pesquisador, 64% dos entrevistados reclamaram do mau humor, 55% do egoísmo, 46% do desrespeito e 25% da frieza.

Pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Sudeste é a região com maior concentração de idosos no país com 46,6%, seguido pelo Nordeste com 26,3%, o Sul com 15,3%, Centro-Oeste com 6,5% e Norte com 5,3%.

Cotidiano dos idosos é administrar aposentadoria

O cotidiano dos idosos é baseado geralmente na administração dos benefícios da aposentadoria com os gastos e o aumento de despesas. Dos 22,3 milhões de brasileiros, com mais de 60 anos, 3,7 milhões voltaram a trabalhar – em empregos fixos ou temporários. Muitos se queixam das dificuldades, pois ajudam parentes e amigos. Pelo menos 15,8 milhões se dizem chefes de família. 

É o caso do marceneiro aposentado Manoel Lopes, de 61 anos. Lopes disse que sua sorte é ter casa própria, do contrário, sua vida seria mais difícil. “Eu gasto pouco e faço minhas economias, como não pago aluguel, dá pra viver. Não gasto com roupa, nada disso. Gasto muito pouco com medicamentos, coisinha de R$ 10 a R$ 15”, ressaltou.

Econômico, Lopes disse que sempre tenta ajudar um parente que esteja precisando de suporte financeiro. “De vez em quando ainda dá para ajudar um filho ou um neto que precise”, destacou o aposentado.

“Para o idoso, trabalhar é um valor a ser respeitado. Mas a maioria volta a trabalhar porque a aposentadoria é insuficiente”, disse Meirelles. “Mas todos têm muito orgulho de dizer que, embora aposentados, ainda trabalham”, acrescentou. “Na prática, o que muitos ganham por ter experiência perdem pela baixa escolaridade, infelizmente.”

9 são internados a cada semana em SP

A cada semana, nove idosos são internados em hospitais públicos de todo o estado, vítimas de agressão física. Levantamento da Secretaria da Saúde mostra que a principal causa das internações é o uso de força corporal, que pode causar diversos danos físicos e mentais aos agredidos. Só no ano passado, 126 idosos foram internados em hospitais públicos do estado vítimas de agressões físicas, de acordo com os dados da secretaria.

 

 

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