Mestre da crônica, Rubem Braga teria completa 100 anos no dia 12 de janeiro de 2013.
O centenário foi lembrado por meio de exposições, lançamentos de livros e reedições de seus principais trabalhos. Na tarde de hoje, o cronista também foi homenageado no Festival da Mantiqueira, em São Francisco Xavier (SP).
A mesa sobre o escritor, morto em 1990, reuniu o poeta e crítico Augusto Massi e os cronistas Humberto Werneck e Ivan Ângelo.
Massi foi o organizador do livro "Retratos Parisienses", lançado no início do ano. O volume reúne textos inéditos em livro que Rubem Braga escreveu em Paris, em 1950, para o jornal "Correio da Manhã".
Além de assinar a breve crônica diária "Recado de Paris", Braga, então com 37 anos, também entrevistou para o jornal alguns dos principais artistas e intelectuais do século 20, tais como Pablo Picasso, Jean Cocteau, André Breton, Jean-Paul Sartre, Jacques Prévert, Juliette Gréco.
Massi destaca que os textos ilustram vários dos interesses de Braga --política, pintura, história filosofia.
"Eu queria acrescentar algum valor distinto ao Rubem Braga que a gente já tinha consolidado", diz o organizador, que no momento prepara outra seleção de crônicas do autor inéditas em livro.
Cronista poeta
Por sua vez, Ivan Ângelo destacou a fidelidade de Braga ao gênero crônica. "Ele encontrou na crônica a sua forma de fazer poesia. Ele não era um cronista, mas um poeta fazendo crônica."
Já Werneck, que cresceu lendo Rubem Braga na revista "Manchete", disse que sua geração ficou encantada com a pegada lírica e bem-humorada do cronista.
Werneck conheceu o escritor por meio de outro fera da crônica, Otto Lara Resende. Ficou amigo de Braga e chegou a visitar a mítica cobertura do cronista em Ipanema, em noites sempre regadas com ótimos papos e muita bebida.
Braga gostava de cultivar uma imagem de solitário e rabugento, mas Werneck ressalta que por trás da fachada havia uma homem muito engraçado e sensível.
Outro mito é que o cronista tinha pouco interesse por literatura e pouca ambição artística em seus textos. Conta-se que abandonou a leitura de "O Vermelho e o Negro", de Stendhal, depois das cem primeiras páginas, reclamando do excesso de personagens na história.
"Mas ele lia muito", contesta Massi.
"Ele não é um escritor que senta e faz. Ele tinha uma ambição literária disfarçada. Não se chega ao nível do texto dele sem formação literária."
Massi ressaltou ainda a impressionante produtividade e curiosidade intelectual do cronista.
Além das crônicas diárias que escreveu por anos e anos, fez grandes reportagens, cobriu a Segunda Guerra Mundial e várias eleições no exterior, fundou editora, traduziu livros e tinha vasto interesse por música e artes plásticas.