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Os pais e as drogas

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 3 min

O grande problema pertinente às drogas aflige toda a sociedade, assusta os pais, preocupa autoridades e joga na lama milhões de jovens no mundo todo. Sem contar que se trata de um caminho quase que sem volta. Ao entrar pelo tenebroso mundo das drogas, o indivíduo dificilmente retorna. Recentemente, conversei com coordenador de um grupo de apoio aos dependentes químicos e fui informado de que os índices de recuperação são baixíssimos. É preciso, além de hercúlea força de vontade do envolvido, um apoio em massa da família, o que nem sempre ocorre, porquanto o dependente químico, não raro, é discriminado.

O que fazer, então, para impedir a entrada desses jovens no mundo dos entorpecentes? A resposta é muito simples, e não requer nenhum malabarismo filosófico: investir na família, no fortalecimento dos laços familiares. É a solução mais eficaz investir na educação dos jovens e na família. A cidade de Agudos tem a semana do combate ao uso de drogas e pude participar do evento. Iniciativa válida, claro, mas não pode parar por aí. Não dá para deixar essa responsabilidade apenas a cargo do poder público ou das escolas. Há coisas que competem aos pais realizar como, por exemplo, a educação de seus filhos baseada no diálogo franco e aberto.

Entretanto, hoje deparamo-nos com a crônica falta de tempo dos pais que, para atender as demandas do mundo contemporâneo, desdobram-se em um ou mais empregos. O resultado disso é que os membros da família têm pouquíssimo tempo para estarem juntos. E, convenhamos, dissolvendo-se a família a situação complica, porquanto desnorteia a juventude. A base é sempre o lar. Nada substitui uma conversa franca e aberta dos pais. Você indagará: Mas como vou dialogar com meu filho se passo grande parte do tempo no trabalho e, claro, minha esposa também precisa trabalhar? Eis aí a chave da questão: a quantidade de tempo que passamos com nossos filhos pouco importa. O fundamental é que este tempo seja de qualidade. Ah, mas tenho apenas 30 minutos por dia. Ótimo, que nestes 30 minutos a família esteja junta, unida, dialogando, conversando abertamente não apenas sobre drogas, mas também outros temas de interesse geral, como sexo, escolha da profissão, felicidade, morte, vida, orçamento familiar, enfim, os assuntos variam ao infinito.

Precisamos compreender que, se não educarmos nossos filhos, se não dedicarmos a eles uma parte de nosso tempo, o mundo o fará, e nem sempre a educação do mundo é adequada. E, na adolescência, fase de descobertas, incertezas, mudanças de humor, dificuldades em geral, é que precisamos dar o suporte moral necessário para que o jovem sinta-se seguro e não necessite buscar nos alucinógenos solução para seus dilemas existenciais, tão comuns nesta fase. Perguntem-nos com sinceridade: quando foi a última vez que reunimos a família para um bate-papo fraterno em torno de determinado assunto? Quando foi a última vez que tivemos um diálogo franco, olho no olho, com nossos filhos ou cônjuges? Ora, não é preciso esperar o problema aparecer para empreendermos o diálogo no lar. Isso pode e deve ser feito sempre, criando o hábito saudável da conversa em família. Certamente, se investirmos nesta prática, o diálogo em família, tão simples, porém esquecida, muitos dos problemas serão resolvidos em casa, inclusive os relacionados às drogas. Como diz o dito popular: É em casa que se lava a roupa suja. Acrescento: e aprendemos a vestir a roupa limpa, proveniente da boa educação ministrada pelos pais.


O autor, Wellington Balbo, é colaborador do Opinião

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