O G8 divulgou ontem documento final do encontro sobre o conflito na Síria sem fazer menção ao destino do ditador Bashar Assad. A decisão foi tomada após fortes divergências da Rússia, único membro do grupo que apoia o regime sírio.
O comunicado mostra uma nova divisão das potências em relação ao destino dos conflito, que já dura dois anos. Os outros sete amembros do G8 - Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Canadá e Japão - dão respaldo à oposição síria e abriram caminho para armar os grupos rebeldes.
As divergências ficaram evidentes nas entrevistas coletivas dos chefes de Estado e governo dos oito países, após o fim da cúpula. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que o debate sobre a Síria foi o mais complicado de toda a reunião, embora todos concordem com uma solução política.
“Apoiamos com firmeza a proposta de uma conferência que conduza o conflito a uma solução política e condenamos qualquer uso de armas químicas e todas as violações de direitos humanos”, afirmou.
Mesmo com o acordo político, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu que a importância de uma oposição forte na Síria para ser capaz de assumir o país após a saída de Assad.
Já o russo Vladimir Putin se mostrou contrário ao envio de armas aos rebeldes, embora tenha defendido a manutenção dos contratos com o regime sírio. Ele também disse desconfiar da versão ocidental do uso de armas químicas pelo regime sírio, mas disse não ter nenhuma prova da utilização do armamento.
Acordo
A falta de acordo já era prevista pelos diplomatas russos e ocidentais. Mais cedo, o vice-chanceler russo, Sergei Rybakov, havia dito que Moscou bloqueou todas as menções ao destino de Assad. “No fim do dia, vocês verão um documento sério e concreto sobre o destino na Síria que não será derrotado”.
Imposição rebelde
O chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, criticou ontem a oposição síria por querer impor condições para participar da conferência de paz proposta por Moscou e os Estados Unidos para tentar dar fim à crise política e aos confrontos violentos no país.
O ministro fazia referência a um comunicado da principal coalizão rebelde que condicionou sua participação ao estabelecimento de um prazo para a saída de Assad. Para ele, tanto o regime quanto os rebeldes devem conversar sem estabelecer requisitos.