Renan Casal |
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13 vereadores se reuniram ontem, entre eles Natalino da Pousada, Sandro Bussola, Markinho da Diversidade, Carlão do Gás, Telma Gobbi, Fernando Mantovani e Roberval Sakai |
Após o manifesto em frente à Câmara Municipal, na noite de segunda-feira (17), que impediu a saída de vereadores e funcionários até as 23h, o Legislativo devolveu para o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) a responsabilidade sobre o aumento da tarifa do transporte coletivo, por meio de documento assinado pelos 17 parlamentares, que pede a reavaliação do aumento da passagem.
A tarifa era uma das reivindicações dos jovens e demais populares que tomaram a avenida Rodrigues Alves anteontem. Para liberar a saída dos vereadores do prédio, um grupo de estudantes exigia assinaturas que viabilizassem a Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a composição dos valores cobrados da população.
Em razão disso, o presidente Sandro Bussola (PT) convocou reunião para a tarde de ontem, da qual não participaram apenas Renato Purini (PMDB), Moisés Rossi (PPS), Carlinhos do PS (PP) e Raul Gonçalves Paula (PV). O documento dirigido ao prefeito, porém, foi assinado por todos, pois os ausentes deram anuência ao texto.
O posicionamento do Legislativo será transmitido na tarde de hoje a um grupo de seis pessoas, formada durante os protestos de segunda-feira, com quem os parlamentares já haviam conversado nas negociações que deram fim ao bloqueio dos portões da Câmara.
Em relação à instauração da CEI, Bussola afirma que não há argumentos nem sustentação jurídica para justificá-la.
A propositura é do vereador Roque Ferreira (PT). Além dele, apenas Raul Gonçalves de Paula (PV) havia assinado. Na segunda-feira, no entanto, Carlão do Gás (PR) se comprometeu a aderir à solicitação, que depende de seis nomes para ser colocada em pauta. Já no plenário, é preciso que 11 parlamentares digam sim à instauração da CEI.
No documento enviado ontem consta a ressalva de Roque. O vereador aponta que somente com a comissão será possível reavaliar o aumento da tarifa, como pediram os demais parlamentares.
Tensão
Apesar da simplicidade da medida tomada pelos vereadores ontem, a reunião foi tensa e durou cerca de duas horas. Isso porque, inicialmente, o texto pediria a revogação imediata do aumento de 12% da tarifa, que passou a valer em maio do ano passado, embora, neste mês, tenha recuado 3,5% em razão da medida provisória que desonerou as empresas do transporte coletivo.
Dois vereadores da base aliada, porém, não aceitaram o texto. Há informações de que Carlão do Gás (PR) – o mesmo que se comprometeu a assinar o pedido de CEI – teria avisado ao prefeito sobre a iniciativa do Legislativo e, a partir disso, orientado para articular o recuou, que culminou em um documento mais ameno.
O vereador Roberval Sakai (PP) também teria se recusado a assinar o texto mais enfático. “A gente precisa de cuidado para conduzir esse processo”.
Prefeito defende tarifa
Após saber do documento elaborado pelos vereadores, Rodrigo Agostinho (PMDB) afirmou que iria avaliar o pedido do Poder Legislativo. A resposta, porém, deve ser baseada no respeito institucional. Na mesma entrevista, o prefeito defendeu o valor tarifário praticado atualmente pelo serviço do transporte coletivo em Bauru.
Agostinho chama a tarifa de “correta” e garante que não existe margem para redução dos valores. “O preço está no limite”.
Segundo o prefeito, a única forma de reverter o cenário seria por meio de subsídio da tarifa pelos cofres públicos municipais. “Mas não há dinheiro”, frisa.
Rodrigo ressalta que o contrato com as empresas concessionárias do transporte público prevê a garantia do equilíbrio econômico-financeiro anual, por meio da atualização dos custos com combustível, folha de pagamento, além da correção da inflação do período.
Legislativo quer segurança reforçada
O presidente da Câmara Municipal, Sandro Bussola (PT), esteve ontem reunido com o comando da Polícia Militar em Bauru. Depois do episódio de segunda-feira – que foi pacífico -, a instituição está preocupada com a preservação de seu patrimônio. Isso porque há previsão de novas manifestações para quinta-feira.
“Pedimos um reforço da segurança, com o comprometimento da PM de que não haverá qualquer ato de repressão”.
O petista disse, ontem, que os protestos são legítimos e que o documento elaborado pelos vereadores simboliza ao posicionamento do Poder Legislativo local.
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