Acompanhando a política de Bauru sobre o empenho dos senhores vereadores em não comprometer o orçamento do município, não posso deixar de notar que alguma coisa não está se encaixando. O que me intriga é por que razão a Câmara de Vereadores aprovou a compra do prédio da estação ferroviária?! A Diziam que seriam instaladas ali as secretarias da Educação, Saúde e a Câmara. Depois de pagar cerca de 6 milhões verificaram que lá não caberia a Câmara (o carro é maior que a garagem). O referido imóvel se encontrava em meio uma ação judicial trabalhista do Sindicato dos Ferroviários, inclusive o imóvel era usado como garantia. O que dá a impressão de que havia algum interesse por trás disso.
Maior que o benefício municipal, e a não utilização daquele espaço só vem a confirmar isto. Depois assumiram a dívida da Cohab, cerca de 700 milhões. Então eu pergunto: a Cohab outrora não era uma empresa de economia mista? Se foi, não tem particulares envolvidos? Por que se tem particulares que participaram dos "lucros" os mesmos deveriam participar dos prejuízos. O pior vem agora: depois de assumir esses compromissos vultosos ou talvez nebulosos, os ilustres vereadores estão pondo obstáculos para aprovar 43 milhões junto ao PAC para investir em asfalto nas mal assistidas periferias da cidade, alegando que comprometerá o orçamento municipal. Cerca de 6 milhões pela estação que está em ruínas, pista de atletismo de ultima geração, 700 milhões pela dívida da Cohab e tantas outras coisas comprometem muito mais o orçamento municipal do que os 43 milhões do PAC, não precisa ser matemático para ver isso.
Eu não sei se isso é resultado de má vontade dos vereadores ou incompetência (ou a soma dos dois fatores). Cuidado, 20 centavos foi a razão de eclodir esses movimentos de protestos, mas não é bem assim não, o copo quando está cheio basta uma gota para transbordar, o "copo" do brasileiro já transbordou e o do bauruense está quase cheio.
Edir F. Queiróz