Geral

Congresso de sistemas agroflorestais começa segunda-feira

Por Agnes Sofia | Especial para o JCNet
| Tempo de leitura: 3 min

O Congresso Sistema Agroflorestais e Desenvolvimento Sustentável: 10 anos de Pesquisa começa nesta segunda-feira (24), no Auditório “Arquiteto Arnaldino da Silva” do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul - CREA/MS, em Campo Grande. O evento termina no dia 27 e as inscrições podem ser feitas no site: http://cloud.cnpgc.embrapa.br/ilpf10/ .

O evento reúne especialistas nas áreas de pesquisa nos SAFS, além de abrir espaço para depoimentos da própria comunidade sobre experiências com o sistema, que integra lavoura, pecuária e floresta, e propõe o plantio, que intercala mudas nativas do ecossistema onde são plantadas com espécies comerciais.

Em abril, a presidente Dilma Roussef instituiu a Lei n° 8.171, sobre a política nacional de integração lavoura-pecuária-floresta. Entre as medidas, há o incentivo à educação ambiental nas escolas e o combate ao desmatamento provocado pela transformação de áreas de vegetação nativa em áreas de pastagens ou lavouras.


Tecnologia sustentável


Se no evento serão comemorados dez anos de pesquisa neste tipo de sistema, o seu uso já possui muito mais tempo, segundo a engenheira agrônoma Lélia Lourenço Pinto. Integrante do Ibama, ela foi uma das convidadas da última edição da Semana Integrada do Meio Ambiente (Simab), na qual ela conversou com a comunidade do distrito de Tibiriçá, em Bauru, sobre como anda a situação do sistema agroflorestal bauruense.

Ela lembrou que, embora a lei  seja recente, há anos ele é usado por agricultores familiares, principalmente em assentamentos, como o de Palmares, em Presidente Alves, e o da Fazenda Rio Paraná, em Castilho. Ambos fazem Núcleo de Educação Ambiental do Ibama/SP, em parceria com os escritórios regionais de Araçatuba e Bauru, do qual Leila é chefe.

“A lei foi aprovada agora, mas muitos de vocês já usam esse tipo de sistema, e o que temos que fazer agora é aprimorá-lo”, enfatizou para os bauruenses presentes.

Quem também parte dessa premissa é o professor Paulo Kageyama. Ele trabalha com assentamentos, que coordena com sua equipe da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). Em São Paulo, a universidade possui projetos em duas regiões, que figuram na lista das mais pobres do Estado: o Pontal do Paranapanema e o Vale do Ribeira. Os dois assentamentos são ocupados por famílias do Movimento dos Sem Terra (MST).

“Biodiversidade é tecnologia, e ela pode ser uma ferramenta de equilíbrio para uma produção de qualidade e saudável”, explicou o professor, em conferência aos alunos do Projeto Repórter do Futuro, no começo do mês, no Instituto de Estudos Avançados da USP na capital.

O incentivo a uma produção diversificada, com a produção de várias espécies no mesmo hectare não possui apenas uma conotação social: na conferência, Kageyama lembrou aos alunos como a biodiversidade é uma forma de proteger as espécies mais importantes do ponto de vista econômico: como exemplo, ele mencionou o trabalho realizado no Acre.

A seringueira, por ser nativa da própria região amazônica, fica mais suscetível a doenças, como a do mal das folhas, causada pelo fungo myrociclus oley. Nas ilhas de alta produtividade do Acre, a espécie foi cultivada em meio a outras, que evitaram uma possível contaminação da doença. “É nesse momento que podemos ver como é importante conhecer a biodiversidade até para evitar prejuízos na produção, independente da sua escala”, enfatiza Kageayama.

Comentários

Comentários