Bairros

Com chuvas, Nações será interditada

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

O Ministério Público (MP) entrou em um dos principais debates que, anualmente, ganha foco em Bauru: o enfrentamento às enchentes e enxurradas, especialmente na avenida Nações Unidas. Curador do Urbanismo, o promotor Luís Gabos chamou, ontem, para uma reunião de trabalho, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), a Defesa Civil e algumas secretarias. Eles bateram o martelo em torno da interdição da avenida em situações de risco, enquanto o município não consegue a liberação de recursos para executar obras de drenagem, que solucionariam o problema em definitivo.

A proposta foi colocada em pauta pelo Jornal da Cidade, no fim de maio deste ano, quando a prefeitura admitiu que estudaria a proposta, apesar das dificuldades operacionais apontadas na ocasião. Com o reforço da Promotoria, a ideia ganha força e tem como principal objetivo, segundo Gabos, evitar novas tragédias e mortes pelas enxurradas.

Atualmente, apenas as partes mais baixas da avenida são interditadas, próximas ao Terminal Rodoviário. No entanto, no último dia 27 de maio, em poucos minutos de chuva, a enxurrada se estendeu por seis quilômetros e ultrapassou a altura do parque Vitória Régia.

De acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho, é justamente essa extensão que deverá ser o foco das interdições nos próximos casos de alerta de chuvas que apontem riscos de alagamento. “A Defesa Civil faz o monitoramento e, quando houver possibilidade de cheias, os órgãos competentes serão alertados e a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) vai interditar os acessos à avenida”.

Coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito reitera a necessidade de que o poder público municipal terá que encontrar mecanismos para colocar a estratégia em prática. Uma das equações que terá de ser solucionada gira em torno dos veículos e pessoas que já estiverem na Nações entre o alerta e o início das chuvas.

Brito frisa ainda que a administração terá que investir em novas tecnologias, principalmente no que tange à comunicação. “Não dá para dependermos de um celular, que pode falhar na hora da emergência. Aparelhos via rádio são a alternativa”.

Outro ponto crucial é a conscientização da população, que, depois de tantos episódios, ainda se arrisca a cruzar vias com riscos de alagamento. “Muita gente ainda se aventura e não pode. Estamos montando um plano de ações para a Nações Unidas, mas quando chove, existem 50 problemas em 50 pontos diferentes. Precisamos priorizar e contar com a colaboração de todo mundo”.

Enquanto a chuva não vem...

Apesar de não existir formalização da proposta de interdição junto ao Ministério Público, o promotor Luís Gabos espera que os trabalhos da administração pública no sentido de viabilizá-la comecem já na semana que vem. “A prefeitura vai me mandar um plano, detalhando tudo”.

Gabos ressalta ser fundamental que as estratégias estejam bem definidas até o fim do período de seca. “Em novembro, começam as chuvas e a cidade tem que estar preparada”.

A última grande tragédia na Nações Unidas se deu no dia 30 de novembro de 2010, quando Rafael Franco Zontini, 24 anos, foi arrastado pela enxurrada por cinco quadras após abandonar um táxi e morreu afogado em frente à Praça do Líbano.


Obras: solução definitiva

Há um projeto executivo de drenagem a ser executado ao longo da Nações Unidas, cuja licitação foi aberta no mês de maio. A obra canalizaria novamente o rio que passa sob a avenida, aumentando a vazão. Contudo, envolve também a construção de cinco barragens.

O problema é o custo da obra, estimado em R$ 100 milhões. Rodrigo Agostinho (PMDB) frisa que o município não tem recursos para isso. A esperança é de que os recursos sejam contemplados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Estou esperançoso de que isso aconteça no próximo semestre”, declarou o prefeito recentemente.

Há 11 anos, a Prefeitura de Bauru assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público, no qual se comprometia a executar uma série de pequenas obras de combate a enchentes, espalhadas em diversos pontos da cidade.

Ontem, o promotor Luís Gabos informou à administração que relatório técnico do órgão aponta que todas as adequações já foram executadas.

Na reunião de ontem, o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, deu a notícia de que foram retomados os serviços para a construção da barragem Água do Sobrado.

Em maio, o JC mostrou que a obra de drenagem, custeada com recursos do PAC, estava parada há 10 meses. Agora, segundo o prefeito, está em fase de conclusão. 

Arquivo/Douglas Reis

Em maio deste ano, em poucos minutos de precipitação, a avenida ficou inundada

 

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