Douglas Reis |
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Avenida Rodrigues Alves sem circulares: cena rara em dia útil |
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Campinas, decidiu há pouco pelo retorno imediato de 100% da frota de ônibus coletivos, nos horários de pico e 80% nos de entrepico, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.
A liminar foi concedida a pedido da Emdurb para garantir atendimento do transporte coletivo em Bauru. A audiência de segunda-feira (24) em Campinas, às 14h, está mantida.
A sexta-feira (21) foi marcada pela greve total dos motoristas. O JC acompanha os desdobramentos do movimento desde as 4h30.
Os grevistas serão intimados sobre a decisão nas próximas horas, devendo retornar ao trabalho imediatamente sob pena da aplicação das penalidades.
O sindicato informou que ainda não foi notificado da decisão e que não garante a volta dos ônibus ainda hoje. O não retorno será comunicado à Justiça imediatamente pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) de Emdurb.
Conforme consta do despacho judicial “a requerente informa que há acordos coletivos em plena vigência, recentemente firmados pelo sindicato da categoria e devidamente cumpridos pelos empregadores, e a greve fomentada pela comissão constituída por Valter Dutra Pereira teria sido consequência não somente do interesse dos trabalhadores, mas também de disputa sindical interna, situações que não se enquadram nas hipóteses previstas no artigo 14, parágrafo único da Lei de Greve”, diz o
Desembargador e Vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho, Henrique Damiano.
Greve
Os motoristas do transporte coletivo de Bauru iniciaram a greve na manhã desta sexta-feira (21). Nenhum veículo saiu das garagens das três empresas: Grande Bauru, Baurutrans e Cidade Sem Limites.
A categoria aguardava, desde às 5h, do lado de fora dos portões da garagem, localizada no Jardim Nicéia, uma possível negociação com a empresa.
Por volta das 7h, a Comissão dos Trabalhadores do Transporte Coletivo - grupo dissidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindtran) - se reuniu e apresentou uma lista prévia com 25 nomes de motoristas, prometendo aumentar esse número para 45, contingente que garantiria a circulação mínima de 30% da frota, percentual exigido para a legalidade do movimento.
Contudo, o grupo exigiu a garantia de segurança e responsabilidade por possíveis danos aos veículos em circulação por parte das empresas, o que não foi aceito. Segundo a comissão, a Transurb optou por não autorizar a saída dos veículos alegando ter recebido ligações por parte de moradores ameaçando danificar os coletivos, caso toda frota não fosse liberada.
A comissão ainda teria questionado aos policiais militares presentes a possibilidade de cada ônibus da frota mínima ser acompanhada por um policial. Mas a prerrogativa foi descartada pelo capitão Ézio de Mello, que conversou com os manifestantes.
Conforme o capitão, não há histórico de vandalismo contra movimentos grevistas na cidade, o que inviabilizaria a permanência de PMs nos circulares. "É preciso tomar cuidado com o oportunismo nessas ocasiões. Podemos criar um clima não verdadeiro", afirma.
Douglas Reis |
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A categoria aguardava desde às 5h ao lado de fora dos portões da garagem, localizada no Jardim Nicéia, uma possível negociação |
Interdição
A quadra 2 da rua Sérgio Arcângelo, do Jardim Nicéia, está interditada devido à manifestação dos motoristas. Três viaturas da PM estão no local e não houve incidentes.
2012
Vale lembrar que, em 2012, os motoristas também tiveram medo de sair das garagens colocando apenas 30% da frota nas ruas.
Segundo a comissão, formada exclusivamente por motoristas, o movimento grevista não é formado apenas por dissidentes do sindicato da categoria (Sindtran), mas pelo total de 550 trabalhadores das três empresas.
"O movimento é legítimo. Se não fosse, o Tribunal já teria deferido a liminar apresentada pelas empresas. Os trabalhadores querem 30% da frota nas ruas com as catracas livres. Estamos agindo para que isso aconteça", afirmou o advogado da comissão, Hudson Chaves.
Moradores reclamam
Douglas Reis |
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Ana Carolina teve que ir a pé a uma consulta médica |
Com o joelho deslocado, a balconista Ana Carolina Macedo reclamava sobre a falta dos transportes já às 6h. “Saí às 4h do serviço e não sabia que teria greve.
O jeito é ir a pé até a consulta médica no Centro. Quando mais precisamos, os ônibus param”, lamenta a balconista que ficou quase duas horas aguardando condução em um ponto localizado na avenida Nações Unidas.
“É muito ruim isso, e é sempre assim: tive que ligar para minha chefe e avisar que não tenho como ir trabalhar. Sem ônibus, os mototaxistas estão cobrando R$ 35,00 para me levar, quando eu normalmente pago R$ 12,00”, reclama a serviços-gerais Eliana Marques, 47 anos, que trabalha em um hospital localizado na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros e esperava ônibus na avenida Rodrigues Alves, esquina com rua Gustavo Maciel, desde as 5h30.
O JC percorreu alguns pontos da cidade para verificar a situação nos pontos de ônibus. Por volta das 9h, grande parte dos pontos localizados no Jardim Redentor estava vazio. Na avenida Cruzeiro do Sul, a situação não era diferente nas quadras 30 a 35.
Entretanto, em alguns locais pessoas permaneciam à espera da condução, como é o caso dos desenvolvedores de softwares Alan Zanone, 22 anos, e Daniel Suguimoto, 23 anos, que esperavam em um ponto de ônibus no Núcleo Geisel. "Não sabiamos que hoje teria greve. O jeito é irmos a pé para o serviço".
Ao perceberem a presença de um táxi próximo ao ponto, oito pessoas sairam correndo na tentativa de disputar o táxi para chegarem a tempo ao trabalho. O JC flagrou a cena. Na avenida Rodrigues Alves, 13 idosos esperavam pelos coletivos na altura da quadra 18.
Transportes por agendamento
As vans que fazem o transporte por agendamento de pessoas portadoras de necessidades especiais estão liberadas para atendimento.