A quinta-feira de protestos na capital baiana começou com 20 mil pessoas reunidas em paz até que alguns manifestantes tentaram furar o cordão de isolamento ao redor do estádio da Fonte Nova, segundo a polícia, e os confrontos começaram.
Foram atiradas balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo pela tropa de choque da PM baiana, que contou com apoio da Força Nacional de Segurança.
João Alvarez/Reprodução UOL |
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Em Salvador, manifestantes quebraram e incendiaram os ônibus de transporte coletivo |
O movimento, que entre outras bandeiras criticava a Fifa e a organização da Copa de 2014 no Brasil, buscava se aproximar da arena no dia da primeira partida no local pela Copa das Confederações.
A Polícia Militar disse que as armas foram utilizadas para "garantir a proteção das pessoas e do patrimônio público e privado".
A partir daí, o cenário foi de confronto em diversos pontos da cidade. Dois ônibus foram incendiados na avenida Centenário, próximo ao Instituto Médico Legal, e outros acabaram depredados, assim como pontos de ônibus nas ruas.
Agências do Banco do Brasil e do Bradesco tiveram os vidros quebrados no centro. Uma loja na avenida Sete de Setembro, principal via comercial da cidade, foi arrombada e saqueada. Um segundo estabelecimento, perto dali, teve a vidraça destruída, mas ninguém levou nada.
Dois micro-ônibus da Fifa receberam pedradas.
Um estudante levou um tiro no braço, no bairro do Garcia, e está internado no Hospital Geral do Estado. Leandro Fraga Magalhães, 24, não participava do protesto e tentava fechar o portão do bar da namorada, que estava sendo invadido por manifestantes que fugiam da polícia, quando foi alvejado.
No final da noite, um grupo tentou chegar à residência oficial do governador Jaques Wagner (PT), o chamado Palácio de Ondina, e foi recebido com bombas de gás lacrimogêneo.
Wagner convocou entrevista à imprensa para amanhã, quando era esperada uma visita da presidente Dilma Rousseff a Salvador, para falar sobre o assunto. O evento com Dilma foi cancelado em meio ao acirramento dos confrontos pelo país.
Outra parte da mobilização se dirigiu à prefeitura, mas não houve conflitos. O prefeito ACM Neto (DEM) disse que "a maioria saiu às ruas de forma ordeira". "O lamentável é a ação dos radicais", afirmou.
Para sábado, dia de Brasil e Itália na Fonte Nova, pela Copa das Confederações, está marcado um novo protesto na capital.
O último reajuste da tarifa do transporte público da cidade foi há um ano, de R$ 2,50 para R$ 2,80, e o prefeito não fala em um novo aumento.
Não foram vistas bandeiras de partidos políticos na manifestação. Outras reivindicações, como a inauguração do metrô da cidade, há 13 anos sem funcionar, além de melhorias na educação e na saúde, também foram lembradas em cartazes e gritos.
